Fundos de pensão reagem ao anúncio de aumento do IOF

Decisão de aumentar IOF prejudica instituições, que ao invés de reagir ao inevitável deveriam usar seu peso político para agilizar votação da CPMF

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SÃO PAULO – A decisão de aumentar IOF prejudica instituições, que ao invés de reagir ao inevitável, deveriam usar seu peso político para agilizar votação da CPMF. A afirmação é do presidente da Abrapp (Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar), Fernando Pimentel, que acredita que a decisão do Governo de aumentar as alíquotas de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) a partir do próximo dia 18 de junho pode comprometer a solvência dos fundos de pensão.

Na opinião de Pimentel, o setor já é um dos mais prejudicados pela alta carga tributária do país, arcando com 60% do imposto recolhido entre as pessoas jurídicas do país. O aumento das alíquotas de IOF cobradas sobre as aplicações financeiras deve piorar ainda mais esta situação, afirmou o presidente da Abrapp.

Dependendo do tipo de regime adotado pelo fundo de pensão, é o trabalhador ou o fundo de pensão quem arca com a perda devido ao aumento da alíquota de IOF.

Quando o trabalhador perde

No caso dos participantes de planos que trabalham sob o regime de contribuição definida quem perde é o trabalhador. Neste tipo de plano, como o próprio nome sugere, o trabalhador determina o valor das suas contribuições, mas não sabe ao certo o quanto irá receber na hora de se aposentar, que será função da soma das contribuições que fez ao fundo de pensão durante o período em que estiver trabalhando.

Como, ao aplicar estas contribuições, o fundo de pensão terá que pagar uma alíquota mais alta de IOF, o valor acumulado será menor, o que acaba reduzindo os benefícios que irá receber no futuro.

Quando os fundos perdem

No caso dos fundos que trabalham com o regime de benefício definido a situação é mais preocupante, pois deve afetar o equilíbrio atuarial dos fundos de pensão. Isto porque neste tipo de plano, os trabalhadores definem o quanto vão receber ao se aposentar.

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Desta forma, se as aplicações do fundo tiverem que pagar mais IOF, o fundo terá que cobrir a diferença com capital próprio, o que pode vir a comprometer sua solvência. Isto acontece porque a maior carga tributária não é repassada para os participantes, como acontece nos planos de contribuição definida discutidos acima.

Preocupação da Abrapp é exagerada

Na nossa opinião, a preocupação da Abrapp parece um pouco exagerada, visto que na verdade o aumento de IOF não deve durar para sempre, mas somente até a prorrogação da CPMF ser aprovada em segunda instância no Senado. A decisão do Governo de pressionar o Senado através do anúncio de cortes no Orçamento de até R$ 5,3 bilhões, em um ano eleitoral foi bastante acertada, pois deve acelerar a votação do projeto.

O atraso na votação do projeto foi uma manobra utilizada pelo PFL para colocar pressão no Governo para rever a candidatura de José Serra à presidência, o que tem custado ao país R$ 400 milhões por semana. Ao confirmar que não pretende perder este dinheiro, mas compensá-lo com medidas amargas, o Governo força o Senado a rever sua atitude. Ao invés de criticar as medidas, a Abrapp deveria usar seu peso político para tentar acelerar a votação, e não criticar o que é inevitável.