Fundador da Reag fica em silêncio na CPI do Crime Organizado e recebe críticas

Empresário João Carlos Mansur invocou direito constitucional de não responder às perguntas; relator criticou estratégia e classificou caso como “escândalo”

Agência O Globo

João Carlos Mansur (Foto: Divulgação/Reag)
João Carlos Mansur (Foto: Divulgação/Reag)

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Convocado pela CPI do Crime Organizado do Senado para prestar esclarecimentos sobre operações financeiras investigadas no caso do Banco Master, o empresário João Carlos Mansur, fundador da gestora Reag Investimentos, compareceu à comissão nesta quarta-feira, mas optou por permanecer em silêncio durante o depoimento.

A decisão já havia sido antecipada pela defesa do empresário. Mansur obteve autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) para não responder a perguntas que pudessem levá-lo à autoincriminação, o que, na prática, levou os advogados a orientar que ele não respondesse a nenhum dos questionamentos feitos pelos senadores.

Diante da informação de que o empresário não responderia às perguntas, o relator da CPI, senador Alessandro Vieira, afirmou que apresentaria alguns dos pontos que pretendia abordar e criticou a postura adotada pela defesa.

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— Não vamos ficar aqui ensaiando um teatro de perguntas. O Master é um escândalo (…) e da minha parte encerro a minha participação — disse o parlamentar.

Na sequência, o presidente da comissão, senador Fabiano Contarato, ressaltou que a CPI deveria respeitar o direito constitucional do depoente.

— É necessário respeitar a decisão da pessoa que está sendo investigada — afirmou.

Mansur é citado em investigações sobre operações financeiras consideradas atípicas envolvendo fundos administrados pela Reag Investimentos e transações que teriam sido viabilizadas por empréstimos do Banco Master. O empresário foi alvo de busca e apreensão em uma das fases da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal para investigar suspeitas de fraudes financeiras relacionadas ao banco.

Mesmo sem responder às perguntas, a presença do empresário era considerada relevante por integrantes da CPI, que buscam esclarecer o papel de gestores de fundos e operadores do mercado financeiro nas transações sob investigaçã