Fugas de Ramagem e Zambelli embasam decisão de Moraes contra Bolsonaro

STF apontou padrão de evasão no entorno bolsonarista ao converter prisão domiciliar em preventiva

Marina Verenicz

Jair Bolsonaro durante interrogatórios dos réus da Ação Penal (AP) 2668

Foto: Fellipe Sampaio/STF
Jair Bolsonaro durante interrogatórios dos réus da Ação Penal (AP) 2668 Foto: Fellipe Sampaio/STF

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, fundamentou a ordem de prisão preventiva contra Jair Bolsonaro (PL) citando um padrão de evasões entre aliados do ex-presidente condenados ou investigados pela trama golpista de 2022.

Na decisão, Moraes afirma que o comportamento de integrantes do núcleo bolsonarista reforçaria o risco concreto de fuga e justificaria a necessidade de afastar Bolsonaro do regime domiciliar.

O ministro aponta que a rota clandestina usada pelo deputado Alexandre Ramagem, condenado a 16 anos e considerado foragido, é um dos elementos que demonstram a “estratégia de evasão do território nacional” adotada por membros do grupo.

A PF apura que Ramagem cruzou a fronteira por Roraima rumo à Guiana ou à Venezuela, após ter saído de Boa Vista em um carro alugado. O pedido de prisão do parlamentar já estava autorizado por Moraes antes mesmo do PSOL solicitar a medida ao STF e à Polícia Federal.

Moraes também menciona Carla Zambelli, que deixou o Brasil rumo à Itália no mesmo período em que teve sua condenação confirmada, e Eduardo Bolsonaro, acusado pela PGR de atuar contra o país e de abandonar o mandato parlamentar para escapar das consequências jurídicas nos processos do Supremo. O ministro usa esses episódios como exemplos de uma atuação coordenada para frustrar a aplicação da lei penal.

No despacho, Moraes afirma que tais movimentos, somados à “convocação beligerante” feita por Flávio Bolsonaro para uma vigília em frente à residência do pai, mostram uma tentativa do entorno bolsonarista de criar tumulto e dificultar a atuação da Polícia Federal e da Polícia Penal do Distrito Federal.

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Segundo ele, a aglomeração poderia servir como cobertura para uma fuga do ex-presidente, agravada pelo fato de que a tornozeleira eletrônica registrou violação minutos após a meia-noite deste sábado.

O ministro destaca ainda que a jurisprudência do STF admite prisão preventiva quando há comprovação de intenção de fuga, e afirma que, no caso de Bolsonaro, “gravíssimos indícios” indicam que o condenado buscava escapar antes da execução definitiva de sua pena por golpe de Estado.

Com a prisão decretada, Bolsonaro foi transferido para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde pode permanecer até a definição final sobre o início do cumprimento da pena de 27 anos e 3 meses fixada pelo Supremo.