Queimando a largada

FT diz que revisão do PIB foi “bomba” e sugere: divulgação deve ser mais convencional

Blog do Financial Times destaca que investidores ficaram desconfiados após o IBGE não confirmar a mudança da metodologia, o que piora ainda mais imagem do Brasil

SÃO PAULO – Mais uma vez, o jornal britânico Financial Times tece críticas à economia brasileira, desta vez, através do blog Beyond Brics. A crítica se estende à presidente brasileira Dilma Rousseff que, soltou a seguinte “bomba” na véspera em sua visão, em entrevista ao jornal espanhol El País: o Brasil não cresceu 0,9% em 2012 como se era pensado, mas sim 1,5%.

“Ótima notícia, não é? Isso é quase o dobro da taxa de crescimento relatado e fornece um impulso bastante necessário para o Brasil , que vê investidores bastante decepcionados após ter encantado o mundo com uma alta de 7,5% do PIB em 2010”, questiona o blog.

Porém, para o Beyond Brics, a notícia não é tão positiva assim, ressaltando que os investidores ficaram desconfiados, ou “coçando a cabeça” após o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) não confirmar se esta mudança era de fato real. O instituto deve divulgar os resultados do terceiro trimestre para o Brasil somente na próxima semana e destacou que só anunciará qualquer revisão em seguida. 

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E em meio à surpresa que Dilma trouxe ao mercado, ela também teve que se explicar. Em nota, o Palácio do Planalto buscou deixar claro que não houve acesso antecipado de Dilma aos números do IBGE e sim uma estimativa do ministério da fazenda. 

“O Brasil está longe de outros países, como a Argentina, quando se trata de estatísticas criativas, sendo que o IBGE deve confirmar sua revisão do PIB na próxima semana. Contudo, em meio à credibilidade de sua equipe econômica sob o exame minucioso a respeito das contas públicas, Dilma poderia ter escolhido uma forma mais convencional para anunciar uma revisão significativa do PIB”, ressaltou o Beyond Brics.

Em entrevista o blog, o cientista político da UNB (Universidade de Brasília) David Fleischer ressalta que, após as contabilidades criativas do governo para atingir as metas fiscais, a divulgação do PIB por Dilma aumenta a percepção já ruim dos analistas para o Brasil e, especialmente, para o investidor estrangeiro.