Repercussão internacional

FT diz que Lava Jato pode ser seriamente prejudicada após a morte de Teori e aponta possíveis substitutos no STF

NYT, El País, Clarín, entre outras publicações também repercutiram a trágica morte do ministro do STF

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A imprensa internacional repercutiu e deu destaque à trágica morte do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki nesta quinta-feira (19), aos 68 anos, em um acidente aéreo.

O jornal britânico Financial Times destacou que ele era o relator da “enorme” investigação da Lava Jato e que, com a sua morte, há a possibilidade de que a investigação possa ser seriamente prejudicada. Além disso, a reportagem aponta que a morte de Teori levará o presidente da República, Michel Temer, a nomear um novo juiz para o STF em seu lugar, que ficará com o controle dos casos da Operação. “Esta é uma oportunidade que ele de outra forma não teria”, disse um advogado que pediu para não ser identificado ao jornal. “Isso pode levar a investigação a uma virada de 180 graus.”

O jornal destaca que nomeação a ser feita por Temer precisa passar pelo Senado para ser aprovada e que muitos senadores foram delatados por testemunhas ou já estão sob investigação. “Haverá agora um poder enorme nas mãos do senado”, disse o advogado ao FT. “Isso poderia enfraquecer toda a operação”, diz a publicação.

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O advogado ouvido pelo jornal ainda relaou que, logo após a notícia, advogados e juízes já especulavam em grupos fechados de redes sociais sobre quem seria o sucessor do ministro do STF. Entre os candidatos mais fortes estaria o controverso ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, que é amigo de Temer, ex-secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo e que, aponta a fonte, nunca escondeu que gostaria de ir para o STF. Outro nome mencionado é o de Ives Gandra Martins Filho, presidente do TST.

“Seja quem for escolhido, o significativo sucesso até o momento de Lava Jato pode estar em perigo”, diz o jornal.

O jornal The New York Times, maior jornal dos Estados Unidos, destacou em manchete no seu site: “Juiz brasileiro que supervisionava casos de corrupção morre em acidente de avião”. A matéria, oriunda da Associated Press no Rio de Janeiro, destaca o papel central desempenhado pelo ministro “na investigação de casos de corrupção maciça no maior nação da América Latina”.  A reportagem salienta ainda o fato de que  a morte de Teori foi primeiramente confirmada pelo seu filho, Francisco, em sua página do Facebook.

O espanhol  El País salientou o fato de o ministro ser o responsável por “homologar as chamadas acusações do fim do mundo: as dezenas de delações de executivos da empresa Odebrecht, que descrevem com detalhes como subornavam a classe política”.

A agência italiana de notícias ANSA destacou em manchete: “Filho de Teori relatou ameaças: ‘Vocês sabem onde procurar’”, detalhando que Francisco Prehn Zavascki chegou a escrever em seu perfil no Facebook um post sobre possíveis ameaças contra a família.  A agência italiana frisou ainda que o ministro “era relator dos processos ligados à Operação Lava Jato no STF e já tinha começado a trabalhar na homologação da delação premiada de 77 executivos da empreiteira Odebrecht. Os casos que estavam em suas mãos envolviam algumas das mais altas figuras da República e os principais partidos do país”.

O jornal argentino El Clarín, por sua vez, disse que “a morte do magistrado causou especulações e uma onda de reações no governo, imprensa e redes sociais” brasileiras. O periódico destacou que “no momento do acidente a região estaria sob condições meteorológicas adversas, sob forte tempestade, o que pode ter obrigado o piloto a voar mais perto da água” e que “testemunhas disseram que chovia torrencialmente na hora do acidente”.

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A Rádio França Internacional – RFI também repercutiu a notícia da morte do ministro. O texto destaca a informação de que o presidente Michel Temer decretou luto oficial de três dias no país. Deu destaque ainda à declaração de Temer de que Teori era um “orgulho” para todos os brasileiros e “um homem público cuja trajetória impecável a favor do Direito e da Justiça sempre o distinguiram”.

(Com Agência Brasil)