Eleições

FT: “como Lula, Marina pode representar uma nova era na política brasileira”

Em coluna de hoje do jornal britânico, Misha Glenny destaca as semelhanças entre Marina e Dilma e por que a candidata do PSB pode ser uma reedição de Lula

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SÃO PAULO – As eleições brasileiras podem muitas vezes ser inesperadas. Contudo, a de 2014 ficará marcada por uma mudança histórica: no espaço de um mês, a presidente Dilma Rousseff passou de franca favorita para uma disputa ferrenha em outubro.

E, para a colunista do Financial Times Misha Glenny, a eleição se tornou ainda mais extraordinária no Brasil, um País conservador, com outra mulher disputando a presidência de maneira bastante acirrada com Dilma. A colunista refere-se a Marina Silva, citando que tanto a candidata do PSB quanto a petista souberam superar as adversidades. 

“Dilma foi torturada quando presa política durante a ditadura militar na década de 1970. Sua rival Marina Silva, se alfabetizou somente aos 16 anos de idade e saiu da pobreza por meio do ativismo que a colocou como ministra do meio ambiente”. 

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As semelhanças não param por aí: as duas foram do governo Lula, o símbolo do PT. Mas, embora ambas sejam de esquerda, há diferenças bem acentuadas entre os dois estilos, “acentuados por um desprezo mútuo”, afirmou a colunista. 

“Depois de mais de uma década no poder, o PT é uma força enraizada na burocracia. Marina Silva, por outro lado, tem o atrativo de quem está de fora, assim como Lula fez uma vez (em 2002). Seu repentino aumento não teria sido possível sem uma tragédia. Ela começou a campanha como vice de Eduardo Campos, que foi morto em um acidente aéreo. Ele tinha uma reputação de ser um homem do futuro, mas não teve além de 12% nas pesquisas”. Contudo, com a entrada de Marina na disputa, o pleito ficou acirrado. Dilma voltou a subir recentemente, mas o provável é que as duas vão para o segundo turno com Marina Silva.

“Então, quais são as diferenças? Marina Silva pode estar levando campanha do PSB, mas seus partidários vêm de um espectro ideológico amplo. Eles incluem jovens radicais que participaram em manifestações recentes, direcionados do governo de Dilma Rousseff e dos serviços públicos pobres em geral. Mas ela também atrai o apoio do movimento cristão evangélico influente a que ela pertence. Este grupo é conservador em questões como o aborto e o casamento gay”, afirmou.

“No entanto, Marina é uma política extraordinariamente honesta. Ela tem um impacto profundo com sua crítica do estilo antigo da política partidária, em que a corrupção tem florescido. Ironicamente, o Partido dos Trabalhadores está nivelando as acusações contra ela. […] O Partido dos Trabalhadores está pagando o preço por corrupção e complacência. O legado de Lula de tirar 40 milhões da pobreza, permanecerá. Mas o governo e a economia de hoje parecem cansados. A ascensão de Marina Silva, se vier, vai ser tão dramática como na eleição de Lula, que desafiou histórias para inaugurar uma nova era de confiança no Brasil”, afirmou.