Frente de esquerda?

Freixo e Haddad ensaiam aproximação de olho nas eleições de 2018, aponta jornal

Em evento realizado na última segunda-feira, ex-prefeito e deputado mostraram discursos consonantes sobre futuro da esquerda; contudo, chance de candidatura única é improvável

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SÃO PAULO – Na última segunda-feira (15), o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) e o deputado estadual pelo Rio de Janeiro Marcelo Freixo (PSOL) participaram de evento do movimento #queroprevias e, em discurso a militantes de esquerda, ensaiaram uma aproximação tendo em vista as eleições presidenciais de 2018, conforme ressalta o jornal Valor Econômico de hoje. 

No encontro em São Paulo, Haddad e Freixo – que ficaram em segundo lugar nas eleições municipais de São Paulo e Rio de Janeiro respectivamente – fizeram questão de mostrar afinidade em relação aos desafios enfrentados pela esquerda a pouco mais de um ano da eleição. 

Haddad criticou o governo Michel Temer e as reformas pretendidas na atual gestão, afirmando que o Palácio do Planalto corre contra o tempo para aprovar mudanças na legislação trabalhista e no regime de Previdência. “Eles sabem que o candidato do campo conservador não pode defender isso em 2018”, disse. O ex-prefeito também afirmou que há uma tentativa de “impedir que uma força contrária” ao governo possa se colocar na disputa com condições de ganhar, mas não citou Lula e a Lava Jato. Assim, ele demonstrou preocupação com um potencial segundo turno entre um “candidato de direita e outro de extrema direita”. Ele disse que a esquerda não pode ficar na defensiva e deve trabalhar na construção de um programa “audacioso.” 

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Haddad disse ainda que o desafio da esquerda é voltar a fazer com que “os olhos brilhem” em suas bases eleitorais. 

Freixo, por sua vez, afirmou que a vitória da esquerda em 2018 passa pela derrota das reformas de Temer em 2017. Ele disse que a desigualdade social deve ser o eixo central de um programa progressista. “Ainda não se deram conta que estamos em um mundo dominado pelos serviços e que, para muitas pessoas, o Estado é um inimigo”.

Ele ainda disse, em um mea-culpa, que a esquerda fala muito e ouve pouco. Freixo reforçou a necessidade de uma nova agenda de esquerda. “Nosso mundo não é mais pela lógica das indústrias, mas os partidos e os sindicatos ainda trabalham nessa lógica. Os partidos de esquerda não sabem o que é viver em um mundo urbano de serviços”. Porém, apontou que o país ainda enfrenta problemas do século XIX, como o aumento da população carcerária.

O Valor Econômico destaca que, apesar dos discursos consonantes, uma candidatura única é vista como improvável diante da disposição de Lula em concorrer ao pleito de 2018. Haddad é apontado como alternativa, caso Lula desista ou seja inabilitada pela Justiça. Já Freixo é um potencial candidato à eleição de 2018 pelo PSOL. Vale destacar que, de acordo com suas lideranças, o movimento #queroprevias não tem a pretensão de unificar candidaturas, mas de formular um programa de governo que motive candidaturas do chamado “campo progressista”.