Entrevista

Franklin Martins: “Se Lula não tivesse sido eleito em 2002, o Brasil tinha explodido”

Segundo ex-ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social disse que situação de revolta política era "monumental" antes da posse do ex-presidente

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SÃO PAULO – Em entrevista ao El País, o jornalista Franklin Martins elogiou o governo Lula, dizendo que após “30 anos sem o Brasil crescer e gerar emprego” e “20 e tantos anos de inflação”, os sentimentos de falta de oportunidade, abandono, injustiça e desesperança da população pobre eram monumentais – e isso mudou com a entrada do petista no poder. “Para mim é uma coisa evidente: se o Lula não tivesse sido eleito em 2002, o Brasil tinha explodido”, afirmou.

Ex-ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social do Governo Lula, Martins publica um livro entitulado “Quem foi que inventou o Brasil? A música popular conta a história da República” (Ed. Nova Fronteira), no qual compila mais de 1.100 canções populares que falam sobre política ao longo do século XX e no começo do século XXI. Para ele, o teor da crítica social das músicas que aparecem no último volume, principalmente dentro do rap, mostra uma revolta política que só pôde ser aplacada pelo ex-presidente. 

Apesar de elogiar Lula, Franklin Martins diz que o o primeiro mandato “foi um desastre” na parte da comunicação, porque “não fazia disputa política no cotidiano”. Segundo ele, a conscientização de que isso precisava ser feito veio só com o estouro do escândalo do Mensalão. 

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Com relação ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT), o jornalista disse que esta falta de comunicação é novamente um dos principais problemas. “Eu acho que ela (Dilma) está no início do governo. Início de governo, onde você está fazendo uma arrumação da casa, é um momento de dificuldade de popularidade. Acho que ela tem perfeitas condições de se recuperar, mas não é automático. Para se recuperar, a economia vai ter que se recuperar. E politicamente, ela terá de discutir com a população, que tem expectativas muito grandes, que não quer retrocesso. Isso é uma característica, a população não quer perder o que já conquistou”, afirmou.