De olho na eleição

“Forças sombrias” podem atuar na eleição do Brasil (e ameaçá-la), diz Financial Times

Propagação da "fake news" no Brasil é destaque em reportagem do jornal britânico 

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SÃO PAULO – Algo que já aconteceu nas eleições americanas e na Europa está prestes a ocorrer no Brasil, de acordo com reportagem do jornal britânico Financial Times: a ameaça das “fake news” (ou notícias falsas) durante o pleito presidencial deste ano no País.

A publicação vê “sinais de que forças sombrias estão prontas para usar táticas extremas para distorcer a verdade” e traz uma entrevista com Marina Silva, da Rede, que foi presidenciável em 2014 e alvo de muitas acusações no período. “Fake news não começou com [Donald] Trump, começou comigo em 2014”, afirmou a ex-ministra ao Financial Times. 

“Havia notícias falsas vindas de todos os lados”, acrescenta. “Eu passei por um processo esmagador de deslegitimização através da disseminação de inúmeras mentiras”, complementou Marina, destacando notícias que saíram sobre ela de que acabaria com os programas sociais, faria políticas para agradar banqueiros e proibiria festas católicas devido às suas crenças evangélicas. “Eu fui colocada como uma espécie de exterminadora do futuro”, disse ela ao jornal.

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Agora, aponta o FT, o campo de batalha é nas redes sociais, sites e blogs que desempenharão um papel importante na votação. O jornal britânico ressalta que o Brasil é o terceiro maior mercado do Facebook, depois da Índia e dos EUA, com 130 milhões de usuários, ante uma população de 208 milhões de habitantes. “As ‘fake news’ podem ser compartilhadas com facilidade através de seus feeds de notícias ou em outras redes como o Twitter. Mais de 100 milhões de brasileiros também usam o serviço de mensagens da WhatsApp, outra maneira simples de distribuir esse conteúdo enganoso”, aponta a reportagem.

De acordo com a publicação, o Brasil também é terreno fértil para conspirações e outras notícias falsas que “prosperam devido à grande raiva pública e desconfiança na classe política após uma série de escândalos de corrupção no alto escalão”. “O Brasil está mais polarizado do que os EUA foram [antes da votação presidencial de 2016], e as condições políticas e sociais tornam-no um lugar para a desinformação”, diz Claire Wardle, diretora de um projeto da Universidade de Harvard que procura combater a desinformação. Assim, as notícias falsas podem interferir nas eleições, destaca o FT. 

Pablo Ortellado, pesquisador da USP que estuda como as pessoas acessam informações online, diz que metade das notícias que circulam nas mídias sociais brasileiras podem ser fabricadas. Com cerca de 12 milhões de usuários brasileiros que compartilham conteúdo das páginas mais populares da política do Facebook, eles podem chegar facilmente a todos os cantos do país. 

Neste sentido, o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Luiz Fux, faz uma força-tarefa para enfrentar a questão. O diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal, Eugênio Coutinho Ricas, destacou também a ameaça: “as fake news têm potencial para interferir nas eleições. Nós vimos isso na França, nos EUA e no Brasil, temos uma grande eleição e não será diferente “, diz Coutinho. Se houver evidência de um crime, a polícia pode emitir mandados de busca e até mesmo prender pessoas, acrescentou.

Fux diz que “notícias falsas prejudicam candidatos legítimos” em uma campanha eleitoral. O FT aponta que Marina Silva não poderia concordar mais. “A maneira como as pessoas ganham determinará a forma como elas governam”, diz ela. “A pessoa que ganha por mentira, governará por mentira”, conclui. 

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