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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência após ter sido escolhido para a missão pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), transmitiu um recado dado pelo patriarca ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), durante encontro entre os dois nos Estados Unidos, na última semana.
Em uma conversa reservada de aproximadamente uma hora, segundo aliados, o senador passou ao irmão mais novo orientações para não entrar em confronto com intregrantes do Centrão ou nomes do PL, a exemplo do que já ocorreu anteriormente, quando Eduardo brigou publicamente com o presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto.

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Ataques a governadores do campo de centro-direita que se insurgem com candidaturas à presidência também estão vetadas, para que não atrapalhem alianças em um eventual segundo turno.
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A orientação dada por Bolsonaro para que os filhos demonstrassem união em torno do nome de Flávio, entretanto, se transformou em problema. Em uma transmissão, Flávio definiu Eduardo como “um craque nas relações internacionais” e disse ser uma honra poder contar com ele para o Itamaraty, caso seja eleito.
A fala gerou mal-estar entre os integrantes do Centrão. Flávio já fez chegar a eles o recado de que tinha a intenção apenas de mostrar o alinhamento familiar e prometeu modular declarações do tipo de agora em diante.
Eduardo compareceu à posse do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no ano passado, e passou a articular meios de pressão para que a pena ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), fosse relaxada, ainda antes do julgamento por participação na trama golpista.
Depois de ver o Brasil sofrer sanções comerciais do governo norte-americano, sob o argumento de que isso ocorria pelo fato de Trump considerar “injustas” as acusações feitas a Bolsonaro, Eduardo viu uma aproximação dele com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que culminou acordos para redução das tarifas e a retirada a sanções contra Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Temos um craque em casa, nessa parte de relações internacionais. É um privilégio poder contar com o próprio irmão, ou seja, a lealdade é 100%, é sangue do meu sangue”, declarou Flávio.
Frustração em contato com o governo Trump
Durante a viagem aos Estados Unidos, Flávio se frustrou por não ter conseguido um encontro com representantes da alta cúpula da Casa Branca.
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Ao lado de Eduardo, ele tentou um registro ao lado do secretário de Estado do governo de Donald Trump, Marco Rubio. A invasão da Venezuela por tropas americanas e a captura do presidente Nicolás Maduro, no início do ano, entretanto, impossibilitaram a missão bolsonarista.
O encontro tinha por objetivo posicionar ao eleitorado bolsonarista um alinhamento do filho primogênito de Bolsonaro com o governo norte-americano e, com isso, frear qualquer insurgência de outro nome do campo da direita. Mais do que isso, o registro com Rubio mostraria que a família Bolsonaro ainda goza de prestígio junto ao primeiro escalão do governo Trump, apesar da recente aproximação com Lula.
A ideia de Flávio é voltar aos Estados Unidos até abril, quando deve fazer uma espécie de “roadshow” pelo país. Até lá, o senador pretende se posicionar mais ao centro e, de acordo com interlocutores, planeja convidar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, para viajar com ela. Desta forma, ele imagina que conseguiria se posicionar como nome de centro-direita.
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Dias antes, Flávio passou a virada de ano em evento organizado pelo pastor André Valadão para brasileiros que moram em Orlando. Oficialmente, a ida aos Estados Unidos se tratou de uma “viagem em família para visitar o irmão”. Flávio retornará ao Brasil nos próximos dias.