Flávio indica que vai incluir o Brasil no Escudo das Américas; entenda proposta

Senador fez a promessa em conversa com o presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella

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O senador Flávio Bolsonaro (PL), que enfrenta o presidente Lula (PT) no segundo turno da eleição presidencial, em 25 de outubro, prometeu incluir o Brasil no Escudo das Américas, caso seja eleito. A coalizão foi criada pelo governo Donald Trump para combater cartéis e facções no continente.

Flávio fez a promessa em conversa com o presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, transmitida no YouTube pelos canais da campanha e de Eduardo Bolsonaro, na última terça-feira 7.

“Vou, com muita vontade e muita honra, querer fazer parte do Escudo das Américas, para cooperar com a Colômbia e com todos os demais países que se unirem para combater essas facções narcoterroristas”, disse o Senado. Segundo o candidato, os narcotraficantes “estão muito preocupados com a minha eleição e têm que ficar mesmo”, porque pretende “implementar um regime muito duro aqui no Brasil”.

O Escudo das Américas foi lançado em 7 de março, em uma cúpula no resort de golfe de Trump em Doral, na Flórida. A declaração fundadora prevê troca de inteligência e cooperação policial e militar, e Trump definiu o pacto no discurso aos líderes.

“O cerne do nosso acordo é o compromisso de usar força militar letal para destruir os sinistros cartéis”, afirmou o republicano, à época. Na mesma ocasião, disse que os EUA podem usar mísseis contra as facções a pedido dos parceiros e que não vão permitir que “influência estrangeira hostil” ganhe espaço no hemisfério. O presidente dos EUA não deu detalhes a respeito de qual país ou conjunto de países se referia.

Nova doutrina de segurança

Em setembro, 15 governos do bloco assinaram a Declaração Conjunta sobre a Defesa da Soberania Hemisférica, que mira 24 organizações, entre elas o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), “independentemente de como sejam denominadas em cada um dos nossos países”.

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Os signatários também pedem uma reunião de consulta na Organização dos Estados Americanos (OEA) com base no Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR), do qual o Brasil faz parte e que admite ação coletiva, inclusive com emprego de forças armadas. 

A declaração também trata de economia. Os países se comprometem a proteger cadeias de minerais críticos, a explorar “mecanismos de triagem de investimentos” e a promover regras de “fornecedores confiáveis para infraestrutura digital”. Trump já havia exposto a moldura em janeiro, depois da operação que capturou o venezuelano Nicolás Maduro.

“Sob nossa nova estratégia de segurança nacional, a dominância americana no Hemisfério Ocidental nunca mais Ocidental nunca mais será questionada”, sinalizou Trump, ao anunciar o retorno da doutrina Monroe, uma política de contenção à presença de potências estrangeiras nas Américas, datada do início do século XIX.

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O Escudo das Américas nasceu três meses depois que a Casa Branca publicou a sua nova Estratégia de Segurança Nacional. O documento põe o continente como prioridade número um da política externa americana, à frente de Europa, Oriente Médio e Indo-Pacífico, prometendo “reafirmar e fazer cumprir a doutrina Monroe”.

A diretriz também acrescenta um “Corolário Trump”, por meio do qual os EUA se comprometem a impedir que competidores de fora do hemisfério portos, redes de telecomunicação e instalações de energia na região. O documento não cita nominalmente a China, mas o país asiático já foi descrito pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, como a “maior ameaça” à prosperidade americana no século XXI.

Desde 2009, a China é o principal parceiro comercial do Brasil. Em 2025, segundo dados do Conselho Empresarial Brasil-China, Pequim destinou ao Brasil 10,9% do total de aportes de investimentos totais, recebendo US$ 6,1 bilhões para dezenas de projetos.

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Disputa

A pressão sobre o Brasil começou antes do bloco. Em maio, o Departamento de Estado classificou PCC e CV como organizações terroristas, um dia após o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) relatar ter pedido “enfaticamente” a medida a Trump. O governo Lula contesta a decisão. Em relatório ao Congresso americano, divulgado em setembro, Trump afirma que o governo brasileiro não conseguiu enfrentar as facções. O Ministério da Justiça respondeu citando a Lei Antifacção e “robusta cooperação existente” com os EUA.

Na Assembleia Geral da ONU, no mesmo dia da declaração do Escudo das Américas, Lula disse que o país não vai “terceirizar” a proteção de suas fronteiras. O petista também classificou como “gestos anacrônicos” as “investidas neocoloniais por recursos estratégicos”. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém“, afirmou.

No primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio obteve 51,1 milhões de votos (47,03%), contra 53,8 milhões de Lula. Espriella, que levou a Colômbia ao Escudo depois de tomar posse, em agosto, declarou apoio a Flávio durante a apuração. “A verdadeira mudança é derrotar a esquerda”, escreveu no X.

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