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Fitch mantém rating soberano do Brasil em BB, mas com perspectiva negativa

A Perspectiva negativa reflete continuidade de incertezas sobre recuperação econômica do Brasil

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SÃO PAULO – A agência de classificação Fitch Ratings manteve o rating soberano do Brasil em BB, mas com a perspectiva negativa, sinalizando que não está descartado um rebaixamento da nota do Brasil nos próximos meses.

A perspectiva negativa reflete continuidade de incertezas sobre recuperação econômica do Brasil, perspectiva para estabilização da dívida no médio prazo e progresso de agenda legislativa, especialmente relacionada à reforma da Previdência, disse a agência, em relatório divulgado nesta sexta-feira.

A Fitch reforça que o ambiente político desafiador continua a impedir progresso para reforma da Previdência. Segundo a agência, “o recente período de instabilidade política” pesa negativamente sobre a tomada de decisões.

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“Essas fraquezas são contrabalançadas pela diversidade econômica e pelas instituições civis consolidadas, com sua renda per capita maior que a da mediana dos BB”, diz a agência. Na avaliação dela, a capacidade do Brasil de absorver choques é apoiada por uma taxa de câmbio flexível, pela posição de reservas internacionais “robustas”, por uma forte posição de credor externo soberano e por mercados de dívida dos governos domésticos desenvolvidos e enraizados. “Uma melhora no ambiente político, a redução de desequilíbrios externos e a aprovação de algumas microrreformas nos últimos meses apoiam o perfil de crédito”, considera.

 Para a agência, um ambiente político “desafiador” continua a impedir o progresso na reforma da Previdência, “que é importante para a viabilidade e a credibilidade de médio prazo do teto de gastos”. A Fitch diz ainda que o ciclo eleitoral de 2018 poderia também prejudicar o progresso das reformas e pesar sobre a recuperação econômica.

A Fitch espera uma retomada cíclica “moderada” no Brasil, com crescimento acelerando de 0,6% em 2017 para em média 2,6% entre 2018 e 2019, com recuperação no consumo, apoiada pela inflação mais baixa, que impulsiona os salários reais, pela estabilização da taxa de desemprego e da desalavancagem das famílias, o que abre espaço para maior crescimento e crédito ao consumidor. “Uma recuperação no investimento também é antecipada para 2018 e 2019”, afirma ela. “Os riscos de baixa para o crescimento poderiam vir de incertezas subjacentes políticas, fiscais e nas reformas”, sustenta a agência.

(Com Agência Estado)