Fitch corta rating de Portugal em três níveis, após revisão do déficit fiscal

Classificação saiu de A- para BBB- e notas também foram colocadas em revisão negativa; déficit foi de 8,6% do PIB em 2010

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SÃO PAULO – A revisão do déficit fiscal português para cima e as dúvidas acerca da capacidade do país em lidar com essa crise fiscal fizeram com que a Fitch Ratings rebaixasse os ratings de longo prazo em moeda local e estrangeira de Portugal, passando de “A-” para “BBB-“, um corte de três níveis.

Além disso, as notas também foram colocadas em revisão negativa. O rating de curto prazo também foi cortado de “F2” para “F3”. O anúncio foi feito pela agência de classificação de riscos nesta sexta-feira (1).

Segundo Douglas Renwick, diretor da agência, o rebaixamento ocorreu em função da pequena probabilidade de que o país recorra à ajuda estrangeira no curto prazo, o que é considerado pela Fitch como “necessário para impulsionar a credibilidade da consolidação fiscal de Portugal e esforços para a reforma econômica”. Essa visão se deu após o anúncio de que as eleições ocorrerão apenas em 5 de junho.

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Déficit fiscal é maior
Na última quinta-feira, o INE (Instituto Nacional de Estatística de Portugal) revisou as projeções do déficit fiscal de Portugal para cima nesta quinta-feira (31). Estimada pelo governo português em 7% do PIB (Produto Interno Bruto), os novos dados mostraram um déficit de 8,6% do PIB em 2010. 

Segundo a Fitch, essa situação provoca um sério problema de calendário: “A rejeição parlamentar de medidas para fortalecer o orçamento de 2011 e as próximas eleições significam que a [tão esperada] consolidaçãol não deverá ser implementada antes do terceiro trimestre de 2011”. Por isso, a agência acredita que o  objetivo de baixar o déficit para 4,6% do PIN ainda este ano está em perigo.

Sequência de cortes
Esse é o terceiro rebaixamento em pouco mais de três mesmes. O primeiro deles veio  em 23 de dezembro de 2010, quando a agência havia alertado para a necessidade de medidas fiscais adicionais para assegurar o “ambicioso” déficit de 4,6% do PIB (Produto Interno Bruto). O segundo corte veio em 24 de março de 2011, quando o parlamento português vetou o plano de austeridade fiscal proposto pelo governo. 

As medidas sugeridas não vieram e, desde então, a incerteza política no país só faz aumentar, colocando em xeque a credibilidade no programa de reforma estrutural e fiscal de Portugal. 

“Portanto, aumentam significativamente as chances de Portugal requer suporte multilateral no curto prazo”, acrescentou Renwick. Além disso, o fato de os ratings terem sido colocados sob revisão negativa significa que há a probabilidade de vir um novo rebaixamento nos próximos três ou seis meses. 

Vale destacar que, ignorando as referências negativas portuguesas, os principais índices acionários europeus terminaram a sessão em alta. O PSI-20, índice português, encerrou o dia com alta superior a 0,53%.

Confira abaixo a metodologia de notas das principais agências:

S&PMoody´sFitchGrau
AAA
AA+
AA
AA-
A+
A
A-
BBB+
BBB
BBB-
Aaa
Aa1
Aa2
Aa3
A1
A2
A3
Baa1
Baa2
Baa3
AAA
AA+
AA
AA-
A+
A
A-
BBB+
BBB
BBB-
Investimento
BB+
BB
BB-
B+
B
B-
CCC
CC
C
D
Ba1
Ba2
Ba3
B1
B2
B3
Caa
Ca
C
Wr
BB+
BB
BB-
B+
B
B-
CCC
CC
C
D
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