Convenção do PSDB

FHC diz que PSDB está pronto para assumir; criador de jingle de Lula “pede perdão” a tucanos

Tucanos deram uma "trégua" na disputa interna sobre quem disputará a eleição presidencial de 2018 para criticar o governo Dilma

SÃO PAULO – Entre os destaques políticos do último final de semana, esteve a convenção do PSDB no último domingo, que reconduziu o senador mineiro Aécio Neves por mais dois anos à frente do partido. E, embalados pela crise política que assola o governo Dilma Rousseff, a legenda elevou o tom contra a presidente e o seu segundo mandato, dando uma “trégua” para as brigas internas em meio à disputa sobre quem disputará 2018.

Em diversos momentos, Aécio pediu o fim do mandato da presidente: “uma das heranças que a presidente Dilma deixará para cada um já conhecemos: meia década perdida. Ao final de seu governo, que não sei quando ocorrerá, talvez mais breve do que alguns imaginem, os brasileiros terão ficado mais pobres”, afirmou.

“O que temos hoje, portanto, é um governo afogado em denúncias, paralisado pela incompetência e desacreditado pela falta de confiança. Um governo, a verdade é essa, que não consegue apresentar saídas para uma crise que ele próprio criou e continua aprofundando”, afirmou o senador. 

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O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também elevou o tom contra Dilma. Para manter sua base no Congresso Nacional, o tucano afirmou que a presidente perverteu a lógica do presidencialismo de coalizão transformando-o em “presidencialismo de compra”.

“Um governo que, para se manter, cria ministérios. Um sistema que no começo se chamava presidencialismo de coalizão e hoje é de cooptação, de compra. Estamos assistindo à desmoralização do funcionamento do atual sistema político. Estamos assistindo, simultaneamente, o início do um mal estar social que tem tudo, e não gostaria que assim fosse, para se agravar. E estamos assistindo à paralisação do Executivo”, afirmou FHC. 

E continuou, afirmando que o “PSDB está pronto para assumir”: “uma saída que só pode ser com respeito à Constituição Federal. Que se puna os culpados. Precisamos assistir esse Brasil com a cara que sempre teve de decência, de humildade. De dirigentes nacionais que possam andar nas ruas sem estar cercado de pessoas, não ter medo de ser agredido. Queremos o Brasil outra vez confiante e, para isso, o PSDB não poderá fugir do seu papel de responsabilidade. Não somos donos do que vai acontecer nas próximas semanas, nos meses seguintes. Mas estamos prontos para assumir. O PSDB sabe governar”.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que é um dos cotados para disputar a presidência em 2018, também fez duras críticas ao PT durante o seu discurso, ao afirmar que o partido da presidente chegou ao “fundo do poço” e que o governo deixará como único legado o “petrolão”. “O PT chegou ao fundo do poço e cabe a nós a missão de não deixar carregar o Brasil junto com eles”, disse.

Enquanto isso, o senador José Serra (SP) defendeu a implantação do parlamentarismo no Brasil. “Eu não estou abordando o parlamentarismo como divagação. Quero fazer uma proposta para abrirmos um debate sobre a implementação do parlamentarismo no país”, disse Serra em discurso de cerca de 20 minutos.

Já Cássio Cunha Lima, líder do senado pelo partido, defendeu que o PSDB defenda abertamente a bandeira de novas eleições. “O caminho natural será a convocação de novas eleições. Proponho que o PSDB possa formalmente, em suas instâncias de direção, deliberar pela defesa aberta da realização de novas eleições. Vamos levar às ruas a bandeira das novas eleições”, afirmou.

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Autor de jingle de Lula “pede perdão”
Durante a convenção, destaque ainda para uma situação curiosa, conforme relatado pelo jornal O Estado de S. Paulo. Em busca de aproximação com as classes mais populares, as mais de sete horas de evento foram embaladas pelo grupo AfroReggae, por MCs do funk e por uma homenagem ao cantor sertanejo Cristiano Araújo, que foi morto em acidente de carro no último dia 24.

Porém, quem roubou a cena foi o compositor Lázaro do Piauí, que em 2006 produziu o jingle “Deixa o homem trabalhar” para a campanha de reeleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lázaro, que foi apresentado por Aécio, disse que estava arrependido de ter feito o jingle e pediu desculpas aos tucanos, afirmando que procurou se redimir ao compor um jingle para Aécio nas eleições de 2014.

O músico foi vaiado pela plateia, mas em tom de brincadeira. “O ser humano comete erros e se levanta. Eu cometi um erro em 2006 e vou pedir perdão a todo o PSDB. Foi uma falha. Eu mereço mesmo uma vaia por causa daquela cantiga”, afirmou.