Entrevista

FHC diz ao FT que sistema político quebrou e vê candidatura de Lula em 2018

Segundo o ex-presidente, o sistema político brasileiro está quebrado e são necessárias reformas para restaurar a credibilidade do sistema aos olhos dos eleitores, afirmou o ex-presidente

SÃO PAULO – O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso volta à cena mais uma vez em entrevista ao jornal britânico Financial Times, fazendo críticas ao sistema político e sobre as necessidades de reformas no País.

O sistema político brasileiro está quebrado e são necessárias reformas para restaurar a credibilidade do sistema aos olhos dos eleitores, afirmou o ex-presidente. Segundo ele, o vasto escândalo de corrupção na Petrobras, juntamente com a desaceleração da economia e a disputa entre a presidente Dilma Rousseff, o PT e o Congresso estão paralisando o sistema.

“Nós temos uma crise de legitimidade”, afirmou o ex-presidente, destacando que esta crise ocorre por conta dos erros cometidos nos últimos anos. E Cardoso destaca ainda que o problema com o sistema político nacional é de que ele é uma estranha mistura de democracia parlamentarista e sistema presidencial. 

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FHC destaca que, apesar de ser oficialmente um sistema presidencial, sem vínculos formais entre os poderes executivo e legislativo, os presidentes são forçados a premiar ministérios para seus aliados no Congresso, com a opção de haver uma paralisia. No caso dos presidentes mais fracos, a situação torna-se ainda mais difícil.

E destaca que Dilma Rousseff, que ganhou a reeleição em outubro de 2014 por uma das margens mais estreitas na história recente, conta com 39 ministérios. “Estamos vivendo agora como se fôssemos uma mistura de parlamentarismo e presidencialismo. Isso não pode continuar por um longo tempo, para sempre”, afirmou.

Em um breve perfil, o FT destaca que credita-se a FHC a implementação de reformas de sucesso econômico do Brasil que estabilizaram a inflação e lançaram as bases para a economia. O jornal destaca que ele não foi tão popular para os eleitores como o seu sucessor, o petista Luiz Inácio Lula da Silva, que veio das classes trabalhadoras. Contudo, destaca o jornal, ele é bastante respeitado pelos líderes empresariais.

Sobre as discussões sobre o pedido de impeachment da presidente (FHC vem tomado bastante cuidado ao falar sobre o assunto), FHC destaca que o fato de isso estar em discussão mais de seis meses após a eleição mostra que algo está errado. 

Em relação às propostas de reforma política, o ex-presidente se mostra favorável ao projeto do senador José Serra (PSDB-SP) de voto distrital para vereadores. “Vamos tentar ver pelo menos ver a nível local se é possível tentar outro sistema eleitoral. Se for bom, vamos estendê-lo para outros níveis”, afirma o ex-presidente.

E, apesar dos problemas do PT, ele acredita que o ex-presidente Lula pode voltar a concorrer – e que seja persuadido a isso – em 2018. “O PT não tem outra alternativa que não seja Lula”, afirmou.