Política

FHC critica decisões de Dilma e diz que ela fará “malfeito” o que tucanos fariam melhor

Ex-presidente afirmou que nova equipe da presidente é "de direita" e que "a tarefa a ser cumprida seria mais bem realizada com a esperança, o ânimo e o compromisso de campanha dos que não venceram"

SÃO PAULO – Em artigo publicado no último domingo (7) no jornal O Estado de S. Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso comentou as escolhas da nova equipe econômica da presidente reeleita Dilma Rousseff (PT) e aproveitou para criticar as decisões tomadas por ela, afirmando que os nomes dos novos ministros vão contra as falas da petista durante sua campanha eleitoral.

FHC inicia o artigo falando que nem mesmo o partido da presidente está festejando a vitória nas eleições e que as poucas comemorações não foram suficientes para “despertar o País da letargia”. Para ele, “é indiscutível a legalidade da vitória de Dilma, mas é discutível sua legitimidade”, sendo que o que foi dito durante a campanha da presidente não condiz com a realidade do País.

O ex-presidente afirma que a nova equipe de Dilma é “de direita”. “Na formação do novo Gabinete a presidenta começou a atuar (escrevo antes que a tarefa esteja completa) no sentido de desdizer o que pregara na campanha. Buscou um tripé ‘de direita’ para o comando da economia”, disse FHC no artigo.

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“Na verdade, o adjetivo é despiciendo: a calamidade das contas públicas levou-a a escolher quem se imagina possa repô-las em ordem, pois sem isso não existe direita nem esquerda, mas o caos. Menos justificável, senão pela angústia dos apoios perdidos, é a composição anunciada do resto do Ministério, de cunho mais conservador/clientelístico. Esperemos”, completou o ex-presidente.

Em seguida, FHC destaca que os tucanos, no caso o representante do partido nas eleições, Aécio Neves, seriam mais adequados para implantar tais medidas que a presidente está tentando agora. “Vem daí certa tristeza na vitória: a tarefa a ser cumprida seria mais bem realizada com a esperança, o ânimo e o compromisso de campanha dos que não venceram”, disse.

“Cabe agora aos vitoriosos vestir a camisa de seus opositores (como Lula já fez em 2003), continuar nos maldizendo e fazendo mal feito o que nós faríamos de corpo e alma, portanto, melhor”, continuou o ex-presidente. “A economia não é tudo. Menos ainda um ajuste fiscal. O êxito de uma política econômica depende, como é óbvio, da política. Economia é política. Política exige convicção, capacidade de se comunicar, mensagem e desempenho”, completou.