Sem papas na língua

FHC: “Agentes econômicos perderam a confiança em Dilma”

Em entrevista ao jornal chileno La Tercera, o ex-presidente da república afirmou que as pessoas sentem um mal-estar palpável em seu cotidiano; o tucano disse ainda que Aécio tem tempo suficiente para fazer uma campanha competitiva.

São Paulo – Engana-se quem pensa que o clima de otimismo é moderado entre os figurões do PSDB. Em entrevista ao jornal chileno La Tercera, o ex-presidente da república, Fernando Henrique Cardoso – citado no livro “Hard Choices”, da ex-secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, como um homem de muita “experiência técnica” – foi contundente ao afirmar que o presidenciável tucano, Aécio Neves, tem tempo suficiente para fazer uma campanha competitiva e vencer a candidata à reeleição, Dilma Rousseff. 

Em seu livro, Hillary atribui ao governo de FHC “o despertar econômico do Brasil”. Em suas críticas à gestão petista, o ex-presidente disse que as pessoas sentem um mal-estar generalizado durante o governo de Dilma. “A economia está estagnada. Por isso, há novas e melhores oportunidades para a oposição”, apontou Cardoso.

Para ele, a insatisfação com a gestão de Dilma não pode ser atribuída aos meios de comunicação ou às “elites brancas”.  

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“A insatisfação é ampla e crescente, já que a inflação voltou a afetar a vida cotidiana e a economia está praticamente estagnada”, avaliou FHC.

De acordo com ele, os agentes econômicos perderam a confiança no governo da petista, já que Dilma buscou estimular os investimentos enfraquecendo a política fiscal, por meio da queda da taxa de juros e concedendo incentivos a alguns setores.  

Copa: Crédito para o povo

Questionado sobre a Copa do Mundo, FHC atribuiu o sucesso do mundial ao povo brasileiro, em função da receptividade calorosa e amigável aos estrangeiros. “Isso reforça a imagem positiva do Brasil no exterior”, explicou.

Ele destacou as melhoras na infraestrutura, principalmente nos aeroportos, mas qualificou as mudanças como insuficientes e abaixo das expectativas.  

“Poderia ter sido melhor se o PT não tivesse resistido tanto tempo à concessão das obras e dos serviços ao setor privado, em função de razões ideológicas”, disse o tucano. “Outro erro foi o gasto excessivo nos estádios”, acrescentou. 

Aécio: tempo de sobra para conquistar o eleitorado

Sobre a vantagem de Dilma nas pesquisas, o ex-presidente minimiza e diz que isso pode ser atribuído ao tempo de exposição da petista. Otimista, FHC disse que Aécio terá tempo suficiente para fazer uma campanha competitiva e levar as eleições ao segundo turno. “Quando chegarmos ao segundo turno, haverá mais equilíbrio, pois os presidenciáveis terão o mesmo tempo de exposição nas rádios e na televisão”.