Fala de Lula sobre operação no Rio interrompe melhora na aprovação, diz Quaest

Segundo o diretor do instituto, críticas à declaração sobre traficantes pesaram entre eleitores independentes e frearam tendência positiva do governo desde julho

Marina Verenicz

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa durante cerimônia de abertura da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas COP30, em Belémembro de 2025
REUTERS/Adriano Machado
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa durante cerimônia de abertura da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas COP30, em Belémembro de 2025 REUTERS/Adriano Machado

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As declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a megaoperação policial no Rio de Janeiro tiveram impacto negativo na percepção do governo, segundo análise do diretor do instituto Quaest, Felipe Nunes.

O pesquisador afirma que a fala de Lula, sugerindo que traficantes seriam “vítimas dos usuários”, repercutiu mal e interrompeu a trajetória de melhora na popularidade do presidente observada desde julho.

“As falas de Lula sobre a operação no Rio repercutiram mal. No país, 81% discordaram da declaração — proporção semelhante à vista no Rio de Janeiro há uma semana”, disse Nunes em publicação no X.

O levantamento da Quaest, divulgado nesta quarta-feira (12), mostra que a aprovação de Lula caiu e a desaprovação voltou a subir, revertendo a tendência positiva registrada nos últimos quatro meses. Os índices agora configuram empate técnico, o mesmo cenário visto em outubro.

O que pesou na avaliação

Segundo Nunes, três fatores explicam o resultado. Entre os pontos positivos para o governo estão a melhora na percepção sobre a inflação — caiu de 63% para 58% a parcela da população que considera que os preços subiram — e o encontro de Lula com Donald Trump, que elevou a imagem do presidente entre parte do eleitorado.

No entanto, a fala sobre a operação no Rio pesou mais: 81% dos entrevistados discordam da declaração sobre os traficantes, e 57% também rejeitam a avaliação de Lula de que a ação policial foi “desastrosa”.

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Recuo entre eleitores independentes

O impacto foi mais forte entre o eleitorado independente, que de dizem “nem lulista, nem bolsonarista”. Nesse grupo, a desaprovação subiu de 48% para 52%, enquanto a aprovação caiu de 46% para 43%. É o primeiro recuo consistente desde agosto de 2025.

Para Nunes, o tema da segurança pública rompeu o avanço que vinha sendo impulsionado por pautas econômicas.

“Se o tarifaço mudou a trajetória da aprovação a favor de Lula, a pauta da segurança pública interrompeu a lua de mel tardia do governo com o eleitorado independente”, avaliou.