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A expansão do crime organizado deixou de ser apenas um problema de segurança pública e passou a produzir efeitos diretos sobre o ambiente de negócios no Brasil. A avaliação é do ex-capitão do Bope Rodrigo Pimentel, que afirmou nesta sexta-feira (24), durante a Expert XP, que facções criminosas já afetam o mercado imobiliário, elevam custos para empresas e afastam investimentos de determinadas regiões do país.
Segundo Pimentel, organizações criminosas ampliaram sua atuação muito além do tráfico de drogas e hoje exploram atividades econômicas em territórios sob seu controle. Entre elas estão a venda de botijões de gás, internet, transporte alternativo, comércio local e até serviços financeiros informais.
“O tráfico percebeu que vender maconha e cocaína não dá mais dinheiro. Hoje, cocaína e maconha correspondem a mais ou menos 15% da receita das facções”, afirmou. “Já que tenho a posse do território, tudo que for vendido e comercializado passa a gerar receita.”
Na avaliação do especialista, esse modelo de exploração econômica reproduz práticas antes associadas às milícias e cria uma espécie de monopólio em comunidades dominadas por organizações criminosas.

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Custo do crime
Durante o painel, Pimentel afirmou que empresas instaladas em áreas sob influência de facções acabam pagando taxas de proteção para manter suas operações.
Ele citou como exemplo o caso de provedores de internet no Ceará, que sofreram ataques de grupos criminosos, e afirmou que a prática se espalha por diferentes setores.
“É impossível estabelecer uma planta industrial na região metropolitana do Rio de Janeiro sem pagar propina a uma facção. Não existe essa possibilidade”, disse. Segundo ele, hotéis, distribuidoras e centros logísticos também convivem com esse tipo de extorsão.
Para Pimentel, o problema ultrapassa a esfera da segurança pública porque reduz a atratividade econômica de regiões inteiras.
Um dos exemplos apresentados foi Jacarepaguá, na zona oeste do Rio de Janeiro. Segundo ele, a valorização histórica dos imóveis na região deixou de ocorrer por causa da expansão do Comando Vermelho em bairros vizinhos.
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“O imóvel hoje está mais barato do que anos atrás. Não é por excesso de oferta. É porque o Comando Vermelho tomou bairros do entorno e isso provocou uma depreciação imobiliária”, afirmou.
Na visão do ex-capitão do Bope, investidores já incorporam o risco da violência às decisões de compra, reduzindo o valor dos ativos localizados em áreas sob influência do crime organizado.
Recuperação de territórios
Pimentel também fez críticas à estratégia do governo federal de enfrentamento ao crime organizado. Para ele, medidas voltadas ao combate à lavagem de dinheiro são importantes, mas insuficientes se não houver retomada das áreas controladas pelas facções.
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“O dinheiro surge no território. Não adianta perseguir a lavagem de dinheiro se você não recuperar o território”, afirmou.
Segundo ele, enquanto organizações criminosas mantiverem o controle econômico sobre comunidades, os impactos não se restringirão à segurança pública e continuarão afetando investimentos, atividade empresarial e desenvolvimento econômico.