Críticas

“Facada nas costas”: Maia pede mais respeito de Temer e ameaça retaliar o PMDB

Ele disse que Temer faltou com a palavra e ameaçou com a retaliação do DEM em votações de interesse do governo

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(Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

SÃO PAULO – O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), fez duras críticas ao presidente Michel Temer e ao seu partido, o PMDB, na noite da última quarta-feira (20) afirmando que os aliados do governo não podem “ficar levando facada nas costas” de ministros e do partido.

Ele disse que Temer faltou com a palavra e ameaçou com a retaliação do DEM em votações de interesse do governo. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Maia pediu que o Palácio do Planalto pare com o “fogo amigo” e seja mais respeitoso durante a tramitação da denúncia contra o presidente.

“Se nós somos aliados, nós temos de ser aliados. A gente não pode ficar levando facada nas costas do PMDB, principalmente dos ministros do palácio e do presidente nacional do PMDB”, disse Maia, que ocupa interinamente a presidência até a manhã de sexta-feira (22).

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Segundo o comandante da Câmara, as reclamações ocorrem pelo fato do PMDB ter filiado, no início do mês, o senador Fernando Bezerra (PE), ex-PSB. O DEM vinha negociando havia meses a migração do parlamentar e de outros deputados para sua legenda.

“Há um encaminhamento do PMDB, que foi desmentido depois da visita do presidente Michel Temer à casa da deputada Teresa Cristina [líder do PSB na Câmara], logo no processo da primeira denúncia, e que o presidente fez questão de jantar na presidência da Câmara comigo e falar que não havia nenhum interesse do PMDB nos parlamentares do PSB e, nas últimas semanas, o que a gente tem visto é o contrário, inclusive com a participação do ministro Moreira Franco e do ministro Eliseu Padilha na filiação do senador Fernando Coelho”, afirmou Maia.

“Quando a gente faz um acordo, tem de cumprir a palavra. A coisa mais importante da política é a palavra. Eu já avisei o presidente, isso causou muito desconforto dentro da bancada”, completou o presidente da Câmara.