Entrevista

Exclusivo: Novas eleições são proposta “fora de tempo” e antidemocrática, diz Orlando Silva

Em entrevista, aliado de Dilma mantém confiança na vitória contra o impeachment no Senado

SÃO PAULO – A possibilidade de o PT patrocinar uma campanha nacional pela realização de novas eleições para a presidência voltou a ganhar força no meio político após a derrota de Dilma Rousseff no processo de impeachment em votação no plenário da Câmara dos Deputados, por 367 votos a 137, conforme apontam os jornais desta segunda-feira (18). A ideia, ventilada também por senadores como Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Valdir Raupp (PMDB-RO) já contou com simpatia do presidente da casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), mas enfrenta resistência entre muitos aliados do vice Michel Temer, principal beneficiário de eventual afastamento da petista, e até governistas.

Para o ex-ministro do Esporte deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), no entanto, a ideia de promover novas eleições menos de dois anos depois da decisão das urnas que reconduziu Dilma ao comando do país com 54,5 milhões de votos é descabida. “Não sei onde apareceu essa história. Acho uma posição fora do tempo. Não estou de acordo”, afirmou em conversa com o InfoMoney por telefone. Silva esteve com a presidente na manhã desta segunda-feira. Quando questionado se a medida poderia ser entendida como antidemocrática, ele respondeu afirmativamente, comparando o processo a um recall — mecanismo que não está previsto no processo político brasileiro. “Existe uma regra do jogo e mandato que são definidos”. A fala do ex-ministro enfraquece a tese de que o governo opte por enviar ao Congresso uma Proposta de Emenda à Constituição que possibilite a convocação de novas eleições, contrariando a possibilidade de Temer herdar a presidência em caso de impeachment.

Sobre o resultado da véspera, Silva não se disse surpreso com o placar final, alegando que havia cerca de 30 ou 40 deputados aguardados para manifestar o chamado “voto útil” — ou seja, que esperariam o desenho do cenário para definir posição em plenário. “Eles aguardavam a formação de uma tendência principal. Quando formou a tendência do risco de o governo ser derrotado, eles aderiram à tese da oposição. Calculávamos que isso poderia acontecer. Se tivesse sinalizado como chance real de vitória, os 172 iam virar talvez mais de 200 votos”, explicou o deputado. Nesse sentido, a decisão da ordem de como se daria a votação, alternadamente entre estados do norte e sul do país, pode ter prejudicado o governo, uma vez que um número maior de parlamentares do sul votou antes que as maiores bancadas do norte anunciassem posição. “Foi uma manobra de Cunha, mas o fato é que o resultado foi produzido e não adianta voltar atrás”, disse.

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Na avaliação do deputado da base aliada, o governo tem mais chances de barrar o processo de impeachment no Senado do que teve na Câmara, mesmo com a necessidade de conquistar a maioria dos votos na casa, em vez de apenas 1/3. “Nós acreditamos que, no Senado, pelo perfil que tem, temos mais chance. A votação [de ontem] revelou a realidade da Câmara dos Deputados. O ‘alô, mamãe’ da votação revela uma precariedade muito grande. No Senado é um pouco diferente, porque tem governadores, gente mais serena e experiente, que vai examinar o mérito”, afirmou o parlamentar.

O ex-ministro também aproveitou a conversa para tecer elogios ao presidente do Senado e manifestar mais esperança com o processo a ser considerado na Câmara Alta. “A diferença entre ter um processo coordenado por Eduardo Cunha e ter um processo coordenado por Renan Calheiros é brutal. Tenho muita confiança na liderança do senador Renan Calheiros, que é um homem sereno e tem um profundo compromisso com o Brasil”.

temos mais chance, porque

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