Operação Custo Brasil

Ex-ministro Paulo Bernardo e secretário de Haddad são presos pela PF; PT é alvo de buscas

A prisão foi feita em nova operação da PF como desdobramento de um fatiamento que ocorreu na investigação que estava no STF

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SÃO PAULO – O ex-ministro Paulo Bernardo, marido da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), foi preso nesta quinta-feira (23) em Brasília em um desmembramento da 18ª fase da Lava Jato, chamada Pixuleco II. A prisão foi feita em nova operação da PF como desdobramento de um fatiamento que ocorreu na investigação que estava no STF (Supremo Tribunal Federal).  Bernardo foi detido no apartamento funcional da esposa. A operação foi batizada de “Custo Brasil”.

A operação investiga o pagamento de propina, proveniente de contratos de prestação de serviços de informática, no valor de R$ 100 milhões, entre os anos de 2010 e 2015, a pessoas ligadas a funcionários públicos e agentes públicos no Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.

Os policiais federais estão cumprindo 11 mandados de prisão preventiva, 40 de busca e apreensão e 14 de condução coercitiva nos estados de São Paulo, do Paraná, Rio Grande do Sul, de Pernambuco e no Distrito Federal, todos expedidos pela 6ª Vara Criminal Federal em São Paulo.

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O advogado de Paulo Bernardo, Rodrigo Mudrovitsch, confirmou a prisão preventiva e afirmou não ver motivo para que seu cliente fosse preso. “A prisão não se justifica. O meu cliente não ocupa mais nenhuma função e sempre se colocou à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.” Paulo Bernardo foi ministro do Planejamento do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre março de 2005 e janeiro de 2011. No governo da presidente afastada Dilma Rousseff, ele passou a comandar a pasta das Comunicações, onde permaneceu até janeiro de 2015.

O ex-ministro Carlos Gabas, amigo pessoal de Dilma Rousseff, é alvo de condução coercitiva. A residência dele em Brasília ainda foi alvo de busca e apreensão. A PF também cumpre mandado de busca e apreensão desde as 6h de hoje (23) na sede do Partido dos Trabalhadores (PT), na capital paulista. Por volta das 8h30, a equipe de policiais continuava no interior do prédio, na Rua Silveira Martins, região central. Oito homens armados do Grupo de Pronta Intervenção da Polícia Federal fazem a segurança na parte de fora da sede do PT, auxiliados por policiais militares. A Rua Silveira Martins está interditada para o trânsito de veículos.

Na mesma operação, o secretário municipal de Gestão de São Paulo, Valter Correia, foi preso. Antes de ser nomeado pelo prefeito Fernando Haddad, em março de 2015, Correia foi chefe da Assessoria Especial para Modernização da Gestão do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão no governo Dilma Rousseff, sob a então ministra Miriam Belchior. 

De acordo com nota divulgada pela PF, há “indícios de que o ministério do Planejamento direcionou a contratação de uma empresa de prestação de serviços de tecnologia e informática para a gestão do crédito consignado na folha de pagamento de funcionários públicos federais com bancos privados”, interessados na concessão desse tipo de crédito.

O inquérito foi aberto em dezembro de 2015, após a decisão do Supremo Tribunal Federal de que a documentação recolhida na 18ª fase da Operação Lava Jato, conhecida como Pixuleco 2, fosse encaminhada para investigação em São Paulo.

De acordo com as investigações, 70% dos valores recebidos por essa empresa eram repassados a pessoas ligadas a funcionários públicos ou agentes públicos com influência no Ministério do Planejamento por meio de outros contratos – fictícios ou simulados.

Os policiais federais estão cumprindo mandados também no Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco e no Distrito Federal, inclusive na casa da senadora Gleisi, em Curitiba.

Ex-tesoureiro do PT, Paulo Ferreira, também foi alvo de mandado de prisão preventiva pela Operação Custo Brasil. A PF também prendeu preventivamente o ex-chefe da Assessoria Especial para Modernização da gestão do Ministério do Planejamento Valter Correia da Silva e o ex-vice-presidente de Gestão de Pessoas dos Correios Nelson Luiz Oliveira Freitas. Também foi preso preventivamente o empresário Dércio Guedes de Souza, dono da JD2, que já havia sido alvo da fase Pixuleco 2.

 A Polícia Federal dará uma entrevista, às 11h, no auditório da Superintendência Regional em São Paulo.

(Com Agência Brasil)