Entrevista ao Fantástico

Ex-gerente da Petrobras diz que alertou Graça pessoalmente e conclama novos delatores

Venina Velosa diz ter percebido as irregularidades em 2008 e, desde então, comunicou a gerentes, diretores e inclusive à atual presidente da estatal e rebateu críticas de que teria sido vago sobre o assunto

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SÃO PAULO – Em entrevista ao programa Fantástico, da Rede Globo, a ex-gerente da Petrobras (PETR3;PETR4) Venina Velosa da Fonseca disse ter informado pessoalmente à presidente da estatal Graça Foster sobre as irregularidades em diversos contratos da companhia. 

Venina disse ter percebido as irregularidades em 2008 e que, desde então, reportou problemas aos superiores, entre eles o gerente-executivo, diretores e a atual presidente. A ex-gerente enviou os documentos com as denúncias ao Ministério Público.

Entre as pessoas que foram informadas das irregularidades, além de Graça Foster, estão Paulo Roberto Costa, o ex-diretor de abastecimento José Carlos Cosenza, o ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli e os gerentes executivos José Raimundo Brandão Pereira e Abilio Paulo Pinheiro Ramos.

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A ex-gerente ainda rebateu a afirmação de Graça de que Venina fora vaga sobre os alertas feitos:  se falar em irregularidades na área de comunicação e problemas nas licitações não está suficientemente claro, eu, como gestora, buscaria uma explicação. Principalmente com uma pessoa com a qual eu tinha muito acesso, porque nós sempre tivemos acesso. Conheci a Graça numa época em que ela era gerente de Tecnologia na área de Gás (e Energia)”, afirmou.

Ela também explicou a reação de Paulo Roberto Costa após as denúncias de irregularidades apresentadas por ela. Ele teria tido a reação de dizer ‘você quer derrubar o governo’ e teria apontado para uma foto do presidente Lula. Venina afirmou: “esse evento aconteceu quando eu fui apresentar o problema que ocorreu na área de comunicação. Eu cheguei na sala dele e falei: olha, aqui tem só uma amostra do que está acontecendo na área. Eram vários contratos de pequenos serviços onde nós não tínhamos conhecimento do tipo de serviço, do que estava sendo prestado, mas mostrava esquartejamento do contrato.

Aí, naquele momento, eu falei: eu nunca soube nada disso, estou sabendo disso agora e acho que é muito sério e temos que tomar atitude. Aí ele pediu que eu procurasse o gerente responsável e pedisse para que ele parasse. Aí eu falei: ele já fez, não tem como eu chegar agora e falar: vamos esquecer o que aconteceu e vamos trabalhar diferente daqui para frente. Existe um fato concreto que tinha que ser apurado e investigado. Aí, nesse momento, ele ficou muito irritado comigo. A gente estava sentado na mesa da sala dele, ele apontou para o retrato do presidente Lula, apontou para a direção da sala do Gabrielli e perguntou: você quer derrubar todo mundo? Aí eu fiquei assustada e disse: olha, eu tenho duas filhas, eu tenho que colocar a cabeça na cama e dormir. No outro dia, eu tenho que olhar nos olhos delas e não sentir vergonha.”

Durante o programa, em tom emocionado ao falar sobre a sua família e a sua mudança para Cingapura (para se afastar da companhia), que a afastou dos seus familiares, Venina afirmou que “irá até o fim” e conclamou outros funcionários a também denunciarem casos de corrupção na estatal.

“Espero que os empregados da Petrobras, porque tenho certeza que não fui só eu que presenciei, criem coragem e comecem a reagir. Temos que fazer isso para poder realmente fazer a nossa empresa ser o que era. A gente tem que sentir orgulho, os brasileiro têm que sentir orgulho dessa empresa. Eu vou até o fim e estou convidando vocês para virem também”, afirmou.