Eventual governo de Dilma não traria muitas mudanças econômicas, diz JP Morgan

Banco aposta em governo "amigável" ao mercado, com Meirelles na presidência do BC e Palocci à frente da Casa Civil

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SÃO PAULO – Depois de ter se reunido com autoridades, políticos locais e consultores econômicos em São Paulo e Brasília, a equipe de analistas do JP Morgan formada por Fabio Akira Hashizume, Felipe Pianetti e Luis Oganes destacou que não espera por muitas mudanças na postura econômica do novo governo em relação ao atual.

Considerando a vitória da canditada Dilma Rousseff e ampla maioria no Congresso, o banco acredita que os principais pilares macroeconômicos existentes no atual governo serão mantidos para os próximos quatro anos, sendo que apenas alguns “suaves” ajustes fiscais deverão ser efetuados.

“As autoridades locais veem como certa a vitória de Dilma nas eleições de 3 de outubro”, destacaram os analistas, frisando que esta percepção se mantém mesmo com os recentes escândalos envolvendo a ex-ministra chefe da Casa Civil, Erenice Guerra.

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De acordo com o banco, “não é esperado que a administração da Dilma traga novos planos ou políticas à pauta, mas sim fazer mais do mesmo”. Os analistas argumentam que um dos melhores cenários para o próximo governo seria se a nova presidente promovesse algum tipo de aperto fiscal e estabelecesse algumas reformas no Congresso Nacional ainda no primeiro ano de mandato.

“Mesmo se este cenário se materializasse, os riscos de implementação seriam altos, especialmente se levado em consideração o fato de as qualidades políticas da Dilma serem menores que as do Lula”, disse o JP Morgan, que avalia que a inflação continuará sendo chave para o modelo econômico brasileiro (baseado no tripé: regime de metas de inflação, câmbio flutuante e lei de responsabilidade fiscal).

Governo “amigável” ao mercado
Segundo o levantamento do banco, as autoridades nacionais acreditam que o novo governo liderado por Dilma, caso seja eleita, deverá ser “amigável” ao mercado. De acordo com o JP, o ex-ministro Palocci deverá ser nomeado chefe da Casa Civil, assim como Henrique Meirelles deverá permanecer à frente do Banco Central.

Em relação a política monetária, o banco norte-americano destacou que o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) deverá continuar se apoiando na deflação global e em um prospecto de ajuste fiscal para dar sequência à manutenção da taxa básica de juro nacional em seu atual patamar, de 10,75% ao ano.

“Aparentemente o BC está trabalhando com um cenário-base no qual é esperado que o G3 (EUA, Zona do Euro e Japão) apresente um crescimento medíocre, mas que evite cair em um ‘double dip’ (duplo-mergulho)”, afirmou o JP. “Isto deve manter os dados de inflação sob controle no Brasil”, completou.

Apreciação do real
Apontado como um dos grandes problemas decorrentes desse crescimento forte da economia brasileira em descompasso com os países desenvolvidos, a apreciação do real frente ao dólar segue como uma ameaça e um desafio ao novo governo brasileiro. Neste sentido, o JP ressalta que a administração seguinte à do Lula deverá estar preparada para se juntar ao BC em seus esforços para conter a valorização desenfreada da moeda nacional.

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Cabe destacar que nos últimos meses o BC brasileiro tem interferido no mercado de câmbio quase que diariamente, através da compra de dólares, a fim de amenizar a depreciação da divisa norte-americana. Além disso, o Ministério da Fazenda anunciou nesta semana a autorização ao Fundo Soberano do Brasil para a aplicação de seus recursos em moeda estrangeira.

A manobra foi apresentada depois que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, sinalizou que o governo brasileiro poderia adotar medidas para impedir uma valorização do real, na esteira do noticiário externo, no qual países asiáticos fizeram interferências no câmbio para valorização de suas moedas.

De acordo com o Mantega, o governo do Japão, que vendeu ienes na última quarta-feira (15) para conter a apreciação da moeda do país, fez a operação “num movimento que parece orquestrado” com outras economias asiáticas, como a coreana. Na ocasião, o ministro disse ainda que o Brasil não iria ficar parado assistindo a esse movimento, que, em sua visão, tem por objetivo fortalecer as exportações e não está restrito apenas à Ásia, mas acontece também nos Estados Unidos e na Europa.