Europa: crise fiscal volta com força, mas solução só em junho, diz analista

Mercado vê disputa entre duas correntes para decidir sobre futuro da Grécia; Itália começa a preocupar

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SÃO PAULO – “Parece óbvio que a preocupação com a dívida europeia ganhou relevância na agenda global durante o final de semana, após uma sequência de notícias negativas ter atingido o mercado” – resumiu assim Arne Lohmann Rasmussen, analista chefe do Dankse Bank, a volta da crise fiscal europeia ao centro da pauta.

Na última sexta-feira (20), a Fitch Ratings rebaixou o rating da Grécia em três níveis, de BB+ para B+, mantendo a perspectiva negativa, além de ter cortado também a perspectiva para a Itália, em razão do baixo crescimento econômico e a baixa perspectiva de redução do déficit público.

Duas opções de saída
“Mas as preocupações com os países periféricos não devem terminar por aí”, alerta Rasmussen, que acredita que a crise fiscal seguirá no foco do mercado no curto prazo, especialmente a crise grega, acerca da qual políticos ainda discutem uma saída menos estrutural ou mais profunda.

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Neste sentido, Michala Marcussen, do Société Générale, aponta que o Banco Central Europeu defende que uma injeção de austeridade e reformas estruturais já seriam suficentes para solucionar a questão, e que a reestruturação da dívida grega aumentaria significativamente o risco de contágio na região.

Resgate entre € 50 bilhões e € 60 bilhões só em junho
Por outro lado, ministros de finanças da Zona do Euro estão inclinados à proposta de extensão da maturidade dos títulos da Grécia, lembra Michala, que prevê uma resolução apenas em meados de junho, que pode injetar entre € 50 bilhões e € 60 bilhões, incluindo aportes do FMI (Fundo Monetário Internacional).

Sucessão no FMI
Enquanto junho não chega, a analista do Société Générale, recomenda aos investidores manter atenção aos discursos de autoridades políticas da região, que podem dar sinais do que está por vir, além é claro, da sucessão para a direção geral do FMI, para qual Christine Lagarde, ministra de finanças da França, segue como favorita.