Revisão de cenário

Eurasia vê menor chance de impeachment; probabilidade de novas eleições é de 35%

A probabilidade de impeachment, que estava entre 60% e 70%, foi para 60%, enquanto chance de Dilma não encerrar o mandato segue a mesma, de 75%; probabilidade de Temer encerrar mandato é de 40%

SÃO PAULO – Em relatório desta terça-feira (5), a consultoria de risco político Eurasia Group destacou que continua a ver uma chance de 75% da presidente Dilma Rousseff não terminar o mandato. Contudo, o modo como isso ocorrerá está menos certo.

A probabilidade de impeachment, que estava entre 60% e 70%, foi para 60%, enquanto a consultoria passou a atribuir uma chance de 35% de ocorrerem novas eleições, após a cassação da chapa presidencial pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Esta chance permanece mesmo com o impeachment de Dilma. Já a probabilidade do vice, Michel Temer, encerrar o mandato iniciado por Dilma é de 40%. 

Segundo os analistas da consultoria, os eventos das últimas duas semanas só reforçam a percepção de que é improvável que Dilma encerre seu mandato. Porém, a diminuição da chance de impeachment ocorre por conta de um possível erro estratégico do PMDB ao antecipar o seu rompimento com o governo. A expectativa da ala pró-impeachment do Congresso é de que houvesse uma debandada de outros partidos para a oposição, mas não foi isso o que ocorreu. O governo conta agora com uma série de ministérios e cargos que pode ser oferecida para outros partidos de centro, caso do PP, PR, PSD e PTN. 

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Além disso, o governo tem sido razoavelmente eficaz em elaborar uma narrativa de base constitucional fraca para o impeachment devido às pedaladas fiscais. A consultoria ressalta ainda que algumas publicações, como Folha de S. Paulo, Economist, além de Marina Silva, têm feito uma defesa da saída tanto de Dilma como de Temer. Além disso, os ataques ao vice aumentam e, por isso, ele se licenciou da presidência do partido, sendo substituído pelo senador Romero Jucá (RR).

Porém, o governo ainda não conseguiu travar um forte apoio dos partidos de centro para angariar votos. “Criar uma coalizão comprando o apoio de um punhado de partidos centristas menores dificilmente é uma receita
para a governabilidade estável”, afirma a Eurasia. 

Além disso, a investigação da Lava Jato ainda pode gerar evidências sobre financiamento da campanha de 2014 com a delação da Andrade Gutierrez, e possíveis delações premiadas do ex-marqueteiro João Santana e da Odebrecht. Com o financiamento de campanha sendo implicado, as chances de cassação da chapa no TSE passam a ser mais fortes.

“Notamos que as chances de novas eleições permanecem mesmo se impeachment prevalecer. O TSE proporcionaria ao vice tempo para restaurar alguma aparência de governabilidade e haveria momento para um governo de unidade nacional a se formar. E enquanto o PMDB tem sido martelado por alegações de corrupção nos últimos dois anos, o próprio vice tem permanecido relativamente incólume. No entanto, os desafios podem provar-se intransponíveis para um presidente sem um mandato popular, estimulando o TSE a agir. É por esta razão que as probabilidades de Temer terminar o mandato (40%) são ligeiramente maiores do que a probabilidade de novas eleições”.

Os cenários da Eurasia para a política:

Cenários - Eurasia 05/04/16

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