Corrupção

EUA investigam caso na Colômbia envolvendo Odebrecht e mortes

O mercado “de certa forma já esperava isso“, disse Rupert Stebbings, consultor institucional para renda variável da corretora Alianza Valores

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(Bloomberg) — Um dos maiores escândalos de corrupção na história colombiana entrou em uma nova fase na terça-feira, após um grupo bancário local revelar que a investigação chegou aos EUA.

O Grupo Aval Acciones y Valores informou em documentação oficial que foi questionado pelo Departamento de Justiça dos EUA a respeito da estrada Ruta del Sol 2. O Aval tinha um terço de participação no projeto.

As ações do Aval desabaram 25 por cento em dólares neste ano, eliminando bilhões da fortuna do fundador Luis Carlos Sarmiento. As perdas se ampliaram após uma testemunha importante e seu filho morrerem em circunstâncias misteriosas no mês passado.

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O mercado “de certa forma já esperava isso”, disse Rupert Stebbings, consultor institucional para renda variável da corretora Alianza Valores. “Para os investidores, o que importa é uma solução rápida.”

Jorge Enrique Pizano, o auditor da estrada que havia alertado sobre transferências suspeitas, faleceu no mês passado. Segundo autoridades, ele teve parada cardíaca. O filho dele veio da Espanha para o enterro e morreu envenenado por cianureto três dias depois, em circunstâncias ainda não esclarecidas.

Pizano havia dito que temia por sua segurança e deixou gravações secretas de conversas dele com Nestor Humberto Martinez, advogado que representava o Aval na época, nas quais discutiram sobre pagamentos irregulares no projeto Ruta del Sol. Em entrevista a um canal de TV local, Martinez afirmou que relatou as preocupações de Pizano a Sarmiento em 2015. Martinez hoje é o Procurador-Geral da Colômbia.

O Grupo Aval declarou diversas vezes que não estava sabendo da corrupção praticada pela brasileira Odebrecht, a sócia majoritária no projeto.

O Departamento de Justiça dos EUA não retornou imediatamente uma solicitação de comentário da reportagem, enviada fora do horário comercial. Um dos contratos que Pizano apontou como suspeito foi um pagamento de US$ 2,7 milhões que passou por Nova York até chegar a um banco no Panamá.

Martinez disse a parlamentares em Bogotá que na época em que Pizano compartilhou suas preocupações, não havia indício de que os pagamentos faziam parte do esquema de propinas da Odebrecht.

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Uma subsidiária do Aval chamada Corficolombiana se associou à Odebrecht para construir um trecho da estrada de 1.000 quilômetros que liga o centro da Colômbia à costa caribenha. A parceria foi liquidada após a Odebrecht admitir que praticou suborno para obter o contrato.

A investigação pelo governo americano tende a “causar muita volatilidade” nas ações do Aval, disse Carlos Rodriguez, responsável por renda variável na corretora Ultraserfinco, em Bogotá.

–Com a colaboração de Oscar Medina e Ezra Fieser.

©2018 Bloomberg L.P.

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