EUA enviam fuzileiros e submarino nuclear para águas próximas à América Latina

Operação amplia presença militar na América Latina, pressiona Maduro e gera reação do México contra “intervencionismo”

Marina Verenicz

Agentes de segurança conduzem migrantes detidos para embarcar em uma aeronave C-17 Globemaster III da Força Aérea dos EUA para um voo de remoção em Fort Bliss, Texas
23/01/2025
Dept. de Defesa/Sargento do Exército dos EUA Nicholas J. De La Pena/Divulgação via REUTERS
Agentes de segurança conduzem migrantes detidos para embarcar em uma aeronave C-17 Globemaster III da Força Aérea dos EUA para um voo de remoção em Fort Bliss, Texas 23/01/2025 Dept. de Defesa/Sargento do Exército dos EUA Nicholas J. De La Pena/Divulgação via REUTERS

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Os Estados Unidos vão deslocar mais de 4.000 fuzileiros navais e marinheiros para águas próximas à América Latina e ao Caribe, em uma das maiores movimentações militares recentes da região.

A operação, revelada pela CNN nesta sexta-feira (15), foi confirmada por autoridades de defesa americanas e envolve recursos de alto impacto, como o grupo anfíbio USS Iwo Jima e a 22ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais.

Além disso, segundo a emissora, um submarino de ataque com propulsão nuclear, destróieres, um cruzador lança-mísseis e aeronaves de reconhecimento P-8 Poseidon também integrarão a missão, que ficará sob o comando do Southcom (Comando Sul).

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Demonstração de força

Embora os EUA classifiquem a ação como parte de uma ofensiva contra cartéis de drogas — definidos pela administração Trump como “narcoterroristas” —, autoridades ouvidas pela CNN admitiram que a medida funciona sobretudo como uma demonstração de poder.

Um dos oficiais destacou que os reforços militares dão aos comandantes e ao presidente Donald Trump uma ampla margem de opções, inclusive para operações de impacto direto, caso seja dada a ordem. Fontes de imprensa americana afirmam que a movimentação também tem como alvo pressionar o regime de Nicolás Maduro, na Venezuela.

Na semana passada, o jornal The New York Times revelou que Trump assinou de forma sigilosa uma diretriz que autoriza o uso de militares em ações contra determinados cartéis da América Latina, classificados pelo governo como organizações terroristas.

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Reação regional

A decisão dos EUA provocou reações imediatas. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, rejeitou qualquer forma de intervenção estrangeira e declarou que a mobilização ocorre “em águas internacionais”.

“Nossa opinião sempre será a autodeterminação dos povos. Não somente no caso do México, mas no caso de todos os países da América e do Caribe”, afirmou Sheinbaum em entrevista coletiva.

O posicionamento ecoa receios de outros governos da região diante da possibilidade de militarização das fronteiras. No próprio Pentágono, parte das preocupações gira em torno da presença de fuzileiros navais na missão, já que não são treinados para interceptações ou operações antidrogas, função geralmente atribuída à Guarda Costeira.

Canal do Panamá no radar

O envio da força-tarefa ocorre em paralelo ao crescente interesse de Trump no Canal do Panamá, considerado estratégico para o comércio global. Um memorando assinado pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirma que a prioridade das Forças Armadas americanas é “defender o território dos EUA, selar fronteiras e repelir formas de invasão”, incluindo tráfico de drogas, contrabando humano e migração ilegal.

O documento também pede ao Pentágono opções militares credíveis para garantir “acesso irrestrito” ao canal. Em abril, Washington já havia assinado um acordo com o Panamá permitindo o destacamento de tropas americanas em áreas adjacentes à travessia.