Sem medo de impeachment

“Eu não tenho temor disso”, diz Dilma sobre impeachment a jornal do México

"Eu não tenho temor disso, eu respondo pelos meus atos. E eu tenho clareza dos meus atos", afirmou a presidente em entrevista ao La Jornada

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SÃO PAULO – Em entrevista ao jornal mexicano La Jornada divulgada neste domingo, a presidente Dilma Rousseff afirma não temer um pedido de impeachment contra ela e disse responder pelos seus atos. 

“O problema do impeachment é sem base real, e não é um processo, e não é algo, vamos dizer assim, institucionalizado? Eu acho que tem um caráter muito mais de luta política, você entende? Ou seja, é muito mais esgrimido como uma arma política, não é? Uma espécie de espada política, mistura de espada e de dama que querem impor ao Brasil. Agora, a mim não atemorizam com isso. Eu não tenho temor disso, eu respondo pelos meus atos. E eu tenho clareza dos meus atos”, afirmou a presidente.

Ela ainda falou que a democracia não é marcada pelas “situações de paz dos cemitérios, mas sim por “manifestações de rua”, reivindicações e “expressões de descontentamento”.

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“Onde tem algum conflito, ele faz parte da democracia. Nós, quanto mais resilientes formos, quanto mais normal for a manifestação política, ‘Eu estou divergindo’, ‘Eu sou contra’, e isto não levar à ruptura, nem à situação extrema, mais evoluídos, do ponto de vista democrático nós somos”.

A presidente ainda falou sobre o esquema de corrupção de empreiteiras em contratos com a Petrobras. Ela afirmou que a estatal é “tão importante para o Brasil como a seleção” e, ao falar sobre a Operação Lava Jato, reconheceu envolvimento de funcionários da empresa no esquema de corrupção.

“A Petrobras tem 90 mil funcionários, quatro funcionários foram e estão sendo acusados de corrupção. Ninguém pode falar antes de ser condenado, mas todos os indícios são no sentido de que são responsáveis pelo processo de corrupção”. 

“Vou dar o exemplo da Europa: a Europa passou por imensas manifestações, imensos momentos de conflito, de contestação. Nem por isso você viu processos de ruptura institucional. Acho que os Estados Unidos também passaram por isso, e não teve processo de ruptura constitucional. Nós temos agora de falar com orgulho que há duas décadas pelo menos, duas décadas pelo menos que nós não temos ruptura da ordem constitucional, duas”, continuou.

Dilma foi questionada ainda sobre a política internacional, a recente aproximação entre Estados Unidos e Cuba e as denúncias de espionagem da NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA) contra o governo brasileiro. Para a presidente, esse tema “está concluído”.

“O presidente Obama (…) abriu um processo de discussão em que eles tiraram várias resoluções. Entre essas resoluções, eles tiraram uma resolução de que não tem cabimento espionar países amigos, não é? (…) No marco do que eles fizeram, eles nos responderam”.

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Tempos da ditadura
A presidente ainda lembrou dos tempos em que combatia a ditadura. Quando perguntada se depois de resistir àquelas torturas “as pressões de hoje não são nada”, a presidente respondeu que “são bem mais fáceis”, apesar de não serem “facílimas” ou não relevantes.

Ela ainda lembrou quando foi questionada por Agripino Maia (DEM-RN) sobre se havia mentido na ditadura, durante depoimento no Congresso, em 2007 e disse que não chegava nem perto de ser uma segunda tortura, quando foi questionada.

“Nem perto. Não passa nem perto da tortura aquilo. Que é isso? Uma pergunta de um senador no Congresso Nacional, com o Brasil democrático? Que é isso? Moleza. Ele me perguntar: ‘Na tortura você mentiu?’ Por que ele perguntou isso? Porque ele não estava do meu lado, ele não era do meu lado, ele era de outro lado. Quem não mente em tortura, lá lascado. Você entrega companheiro, tem gente que é seu amigo, seu irmão, que você vê morrer. Ou mente ou você se destrói. Quantas pessoas eu vi destruídas? E eu não julgo essas pessoas também. É muito difícil, eu disse para o senador: ‘Senador, é muito difícil mentir’, porque na tortura todo o incentivo é: ‘se você falar eu paro, se você falar eu paro’. É uma luta para você aguentar não falar, porque todos nós somos o que somos, não tem heróis. Cada um de nós encontra, dentro de si, forças”, afirmou. 

Confira a entrevista clicando aqui