Entrevista

“Eu ficarei bem triste se perder as Olimpíadas”, diz Dilma à CNN sobre impeachment

A presidente afirma à jornalista Christiane Amanpour que irá lutar até o fim para manter seu mandato

arrow_forwardMais sobre
Aprenda a investir na bolsa

SÃO PAULO – A presidente Dilma Rousseff segue investindo em entrevistas à veículos estrangeiros nestes últimos momentos antes da votação do processo de impeachment no Senado. Nesta quinta-feira (28) foi a vez da rede CNN divulgar uma conversa exclusiva com a petista, que voltou a falar na ilegalidade do que está ocorrendo no Brasil.

Dilma afirma à jornalista Christiane Amanpour que irá lutar até o fim para manter seu mandato. “Eu lutarei para sobreviver, não apenas pelo meu mandato. Eu vou lutar porque o que eu estou defendendo são os princípios democráticos que regem a vida política no Brasil”, disse a presidente.

Dilma defendeu seu mandato e prometeu continuar lutando, e falou que o impeachment estaria além das pedaladas ou de sua impopularidade. “Eu acho que há um elemento muito forte que tem a ver com o fato de que eu sou uma mulher”, disse. “Eles [deputados e senadores] têm dito muitas vezes que eu sou uma mulher muito dura”.

Aprenda a investir na bolsa

“E eu sempre respondo o seguinte: ‘Sim, eu sou uma mulher dura, cercada por homens bonitos, educados, gentis e amáveis em torno de mim'”, disse Dilma com um sorriso irônico. “Só as mulheres são descritas como sendo muito duras no trabalho quando tomam uma posição”.

Com o risco de ser afastada no início de maio, Dilma não estaria no governo durante a realização dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. “Se isto acontecer, vou ficar muito triste […] Eu gostaria muito de participar do processo olímpico, porque eu ajudei a construir o esforço desde o primeiro dia”, afirmou. A CNN diz que as Olimpíadas surgiram para mostrar o Brasil como uma potência em ascensão, mas que os casos de corrupção estão ofuscando os jogos.

Quando perguntada sobre o que teria feito diferente, Dilma lamentou que a Câmara a tenha impedido de levar à frente reformas estruturais na área econômica. E ponderou que o governo “ouviu” as manifestações das ruas em 2013.

Dilma foi perguntada pela jornalista se achava que poderia ser uma política melhor. Na resposta, citou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um político muito melhor do que ela e, a exemplo da presidenciável americana Hillary Clinton, citada por Amanpour, afirmou ser uma “fazedora”.

Sobre as pedaladas, Dilma disse que não há motivo para o impeachment já que seus antecessores também fizeram as mesmas manobras. “Estou sendo acusada de transferir fundos de uma rubrica do Orçamento para outra, para realizar transferências para cidadãos. A regra até recentemente dava ao governo seis meses para equalizar a diferença. Estou sendo julgada por gastos federais e pedaladas fiscais. Como não podem me acusar por corrupção, estou sendo acusada por uma questão orçamentária”, afirmou.

Dilma foi perguntada se não seria melhor renunciar à Presidência. Respondeu que não, porque seu mandato não pertence a ela, mas aos 54 milhões de brasileiros que votaram nela pela reeleição, em 2014.

PUBLICIDADE