Estrategistas mudam o tom e esperam semana positiva para o Ibovespa

Ocorrência de eleições no domingo deve ter pouco impacto, e investidores deverão continuar centrados no noticiário externo

SÃO PAULO – Há cinco pregões consecutivos sem encerrar em baixa, o Ibovespa terminou a semana com valorização de 2,98%. O número pode até ser considerado uma alta modesta, mas mais importante foi o patamar de encerramento do índice – acima dos 70 mil pontos, o que não acontecia desde o dia 15 de abril deste ano. 

Mesmo em um nível que pode ser considerado alto, próximo à máxima histórica de 73.516 de maio de 2008, o sentimento dos estrategistas segue positivo. O pleito para a Presidência que ocorrerá no dia 3 de outubro, ao invés da volatilidade observada em outros períodos pré-eleitorais, trouxe pouco impacto para o mercado de renda variável, já que os dois candidatos mais bem posicionados nas pesquisas de intenção de voto – Dilma Rousseff, do PT, e José Serra, do PSDB – pregam a continuidade das políticas macroeconômicas que sustentaram o crescimento do Brasil nos últimos anos. 

Para Hamilton Moreira Alves, estrategista de mercado do BB Investimentos, é mais provável que as eleições afetem a bolsa positivamente, na verdade. Se Dilma Rousseff vencer no primeiro turno, o mercado enxerga a continuidade na candidata, com o benefício de que a incerteza em relação ao próximo presidente será dissolvida já neste domingo. 

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Caso a disputa passe para um segundo turno, o fato também é positivo, pois mostra a consolidação da democracia brasileira e dá chances para que o debate entre os dois postulantes ao cargo continue. Para Maurício Ceará, estrategista do Santander, ao menos em um primeiro momento as eleições de domingo não farão muita diferença, já que sua aposta é de que o mercado olhe mais os primeiros movimentos e decisões do próximo presidente, por isso a reação não é esperada para o curto prazo. 

Agenda recheada não prejudica otimismo
Por enquanto, avalia, os investidores estão mais atentos ao cenário internacional do que ao panorama doméstico. Nos Estados Unidos, alguns dados destacam-se na agenda da próxima semana, como as vendas pendentes de imóveis logo na segunda-feira (4), atividade no setor de serviços e dados sobre o mercado de trabalho, como criação de vagas e taxa de desemprego, na sexta-feira (8). 

Já na Europa a agenda será recheada de indicadores de atividade, como PIB (Produto Interno Bruto) da Zona do Euro, pedidos à indústria na Alemanha, além das reuniões sobre política monetária do Banco da Inglaterra e do Banco Central Europeu. Dados ruins poderiam estressar o mercado, mas não é bem essa a perspectiva de nenhum dos estrategistas. 

Mais espaço, com mercado comprador
“Acho que há espaço para que o Ibovespa caminhe até os 71 mil pontos”, avalia Ceará, do Santander. Em sua perspectiva, está em curso um ajuste de carteiras, com realocação de posições para ativos que se encontram muito baratos. A previsão é de que o cenário internacional, apesar da agenda recheada, não estresse o mercado, e por isso a projeção para o índice é positiva. Até mesmo porque, explica Ceará, os investidores não estão procurando ficar com dinheiro em caixa. Assim, mesmo que haja realização em alguns ativos, isso acaba sendo realocado em outros papéis. 

Para Hamilton, a ideia é testar o teto dos 72 mil pontos, com o Ibovespa ganhando fôlego, ainda que com realizações pontuais, desencadeadas tanto pela agenda recheada quanto por ativos já esticados. “Acho que o mercado segue muito de olho nos indicadores, mas ninguém está com muita vontade de vender”, completa Ceará. 

Assim, o estrategista do Santander afirma que continua comprado, a não ser que se observe piora no cenário internacional ou que o Ibovespa teste patamares mais altos, acima dos 71 mil pontos. “Acho que ainda teremos uma semana levemente positiva”, completa.