Há motivos para celebrar

Está tudo ruim? Algumas coisas se saíram melhores do que o esperado no Brasil, diz FT

Em artigo ao jornal britânico, professor Lee Alston ressaltou que a economia brasileira está passando por um momento ruim, mas que algumas coisas estão melhores do que o esperado

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SÃO PAULO – Em artigo para o jornal britânico Financial Times, o professor da Indiana University e sócio do National Bureau of Economic Research Lee Alston ressaltou que a economia brasileira parece ruim – porém, há motivos para comemorar. Algumas coisas estão melhores do que o esperado, afirma Alston, focando nas instituições nacionais, que estão respondendo bem à crise política.

Bullish [otimista] com o Brasil? Jura? A moeda brasileira caiu mais de 30% em um ano. As taxas de juros estão em 15%, 9% dos quais engolidos pela inflação. O desemprego está subindo. A economia está encolhendo. E, como se isso não fosse o suficiente, o Brasil também está sofrendo o maior escândalo de corrupção de todos os tempos”, destaca Alston. 

O professor destaca que a Petrobras já admitiu perdas de R$ 6 bilhões por conta do escândalo de corrupção na estatal e que os valores podem ser ainda maiores, o que tem enfraquecido a “indecisa presidente”. Dilma Rousseff, aliás, perdeu o apoio do Congresso e enfrenta uma baixa popularidade, ainda mais baixa do que a de Fernando Collor de Mello pouco antes de pedir a renúncia às vésperas do impeachment, em 1992. “Dilma pode enfrentar um destino similar”, afirma, destacando que o TCU (Tribunal de Contas da União) reprovou as contas de 2014 da presidente, um dos argumentos usados para que se busque o impeachment da presidente.

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Para ele, a condição do Brasil parece ruim, mas há motivos para se comemorar. “O governo tem feito um movimento crível para estabilizar os mercados, a nomeação como ministro da Fazenda, Joaquim Levy, – fiscalmente conservador. Seu objetivo fazer com que o Brasil retorne para o tempo em que apoiava as políticas de inclusão social sem pôr em risco as finanças públicas”.

O colunista destaca que há muitos rumores sobre se Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central e igualmente hawkish com relação à inflação, possa substituí-lo. O colunista ressalta que Meirelles pode ser mais eficaz porque tem a bênção do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E destaca que não importa o quanto Dilma, seu partido ou coligação tenha aversão à noção de um ajuste doloroso fiscal, a visão é de que este é o único caminho a seguir, afirma. 

Alston também ressalta que tem havido protestos de rua, mas que todas as manifestações de insatisfação estão de acordo com as normas e com a Constituição, com qualquer sugestão sobre golpes sendo mais ou menos rejeitada em larga escala. 

E o grande destaque, afirma o professor, fica para o sistema judiciário, o Ministério Público, o TCU e a Polícia Federal. “Eles têm investigado, processado e até prendido líderes empresariais e políticos envolvidos em corrupção; figuras que, até pouco tempo atrás, eram tidas como intocáveis. O velho ditado brasileiro de que a maioria das investigações e procedimentos penais “acaba em pizza” não foi aplicado”.

E agora, quais são os próximos passos para o Brasil? O professor traça três cenários plausíveis:

“Em primeiro lugar, a estagnação. Na falta de uma liderança clara na presidência e no Congresso, o Brasil pode sofrer três anos de deriva até a próxima eleição. Isso seria doloroso, levando ao aumento do desemprego e alta inflação. Em segundo, um líder populista poderia surgir e ganhar a eleição em 2018, prometendo muito, mas realizando pouco. De certa forma, isso marcaria um retorno à volatilidade econômica e à hiperinflação dos anos 1980. Finalmente, o Congresso poderia levar à queda de Dilma Rousseff (ou ela poderia renunciar, como ressaltado pelo ministro do STF Marco Aurelio Mello). Isso permitiria acelerar o retorno a políticas fiscais sólidas, mas socialmente inclusivas”.

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 “O Brasil já esteve nesta posição antes. Itamar Franco assumiu a presidência em dezembro de 1992 após o impeachment de Collor. Rapidamente virou a economia com Fernando Henrique Cardoso, ministro da Fazenda, e sua equipe de assessores, que domou a inflação”, afirma, ressaltando que ele abriu o caminho para Lula, que permaneceu no campo da disciplina fiscal e inclusão social, permitindo que o Brasil desfrutasse de duas décadas de prosperidade econômica e desenvolvimento político. “No Brasil, o país perene do futuro, a história pode realmente se repetir”, conclui.

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