Esquema de Daniel Dantas envolveria propina à Anatel e até informações sobre o Fed

Gravações da Polícia Federal mostram envolvimento de Greenhalgh com membros do Executivo Federal e de estatais

SÃO PAULO – O juiz da 6ª Vara Federal de São Paulo, Fausto Martins De Sanctis, defendeu que a fusão da Brasil Telecom com a OI deve ser alvo de investigações, já que está sob suspeita de irregularidades. Segundo o juiz, a organização criminosa de Daniel Dantas teria pagado propina à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) para aprovação do negócio.

As suspeitas foram formadas através de escutas telefônicas colocadas na sede do grupo Opportunity. De acordo com o juiz, há indícios que justificam a investigação da fusão entre as duas companhias, já que o negócio proporcionaria a Dantas R$ 985 milhões pela venda de suas ações na Brasil Telecom.

Assessor de Lula em favor de Dantas

A operação Setiagraha da Polícia Federal, que levou à prisão do empresário Daniel Valente Dantes, já consta com sete mil páginas de grampos telefônicos as quais apontam para um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, encabeçado por Dantas.

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Segundo informações do jornal Estado de São Paulo, o grampo do dia 29 de maio teria capturado o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) em conversa com Gilberto Carvalho, assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Carvalho teria se comprometido a buscar informações sigilosas com o delegado Luiz Fernando Correa, da Polícia Federal, sobre a investigação do grupo Opportunity em favor de Daniel Dantas.

Antecipação ao Fed

Em uma das escutas foi registrada também a conversa do investidor Naji Nahas, o qual estaria ajustando operações supostamente ilícitas, para as quais teria obtido informações privilegiadas sobre o corte de meio ponto percentual na taxa de juro do Fed.

“O cara é quente, é presidente do Banco Mundial”, afirmou Nahas durante uma conversa sobre a decisão da taxa de juro norte-americana.

A investigação aponta ainda para o envolvimento de Greenhalgh como homem de ligação entre pessoas do Executivo federal, como Dilma Roussef e empresas estatais, como o BNDES.