Lorenzo Pazolini e Ricardo Ferraço disputam o 2º turno no Espírito Santo

Segundo turno ocorrerá em 25 de outubro

•

Publicidade

O ex-prefeito de de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos) terminou o primeiro turno na liderança da disputa pelo governo do Espírito Santo e vai enfrentar o atual governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço (MDB), no segundo turno. Com 49,65% dos votos válidos, o ex-prefeito ficou à frente do candidato do emedebista, que recebeu 34,07%. O resultado foi divulgado com 99,62% das urnas apuradas.

Na última pesquisa Quaest antes da votação divulgada em 25 de setembro, Ferraço liderava com 33% das intenções de voto, seguido de Pazolini com 31% — ambos isolados dos demais concorrentes.  

Ferraço representa uma continuidade do grupo político que governa o Espírito Santo desde 2019. Ele assumiu o Palácio Anchieta neste ano após a saída de Renato Casagrande (PSB), que deixou o cargo para disputar o Senado. Sua candidatura reúne a base governista e busca se apresentar como herdeiro de uma gestão bem avaliada. No plano nacional, sua estratégia foi não se colar diretamente nem a Lula nem a Flávio Bolsonaro, embora adversários tentem associá-lo ao campo lulista pela proximidade de Casagrande com setores da centro-esquerda. 

Pazolini, por sua vez, encabeça o discurso de mudança de grupo político. O ex-prefeito se projetou como alternativa ao bloco hoje no poder e se aproximou mais claramente do eleitorado de direita, com gestos políticos na direção de Flávio Bolsonaro, consolidando sua candidatura entre os eleitores conservadores. 

Campanha 

Por tratar-se de uma candidatura de continuidade, a avaliação da gestão anterior é peça central. Pesquisas ao longo de 2026 mostraram que o governo Renato Casagrande entrou no processo eleitoral com alta popularidade, com 77% de aprovação e 18% de desaprovação, segundo levantamento da Quaest no primeiro semestre. Ferraço apostou em transformar essa avaliação positiva em transferência de votos, sustentando a ideia de estabilidade administrativa. 

A campanha capixaba foi marcada por três episódios decisivos. O primeiro foi a saída de Casagrande do cargo para concorrer ao Senado, o que transformou Ferraço de vice em governador e lhe deu a visibilidade institucional e o discurso da continuidade.  

Continua depois da publicidade

O segundo, foi a consolidação de Pazolini como principal nome da oposição, num campo em que a direita chegou a flertar com outras alternativas e precisou reorganizar alianças para evitar dispersão. O terceiro movimento relevante foi a definição dos palanques nacionais, com Pazolini mais associado ao bolsonarismo e Ferraço tentando preservar um espaço de moderação e autonomia em relação à polarização presidencial. 

Segundo turno 

Confirmado o segundo turno, a tendência é de que os palanques se reorganizem com Ferraço buscando o apoio de partidos e lideranças mais à esquerda, especialmente os vinculados ao campo petista, ainda que parte desse apoio possa vir de forma crítica ou informal.  

Já Pazolini deve herdar de forma mais natural o eleitorado identificado com a direita e com o bolsonarismo, além de buscar adesões de legendas de centro-direita que hoje não estejam integralmente alinhadas ao seu palanque. O segundo turno, nesse cenário, deve se transformar em um confronto entre continuidade administrativa com perfil de centro, representada por Ferraço, e mudança ancorada na direita, encabeçada por Pazolini. 

Continua depois da publicidade

Os candidatos 

Ricardo Ferraço, do MDB, tem 63 anos. Nascido em Cachoeiro de Itapemirim, construiu trajetória política com passagens pelo Legislativo e pelo Executivo. Foi deputado estadual, deputado federal, senador e vice-governador, até assumir o governo em 2026 após a renúncia de Casagrande.  

Entre 2003 e 2006, foi Secretário de Estado da Agricultura no primeiro mandato do então governador Paulo Hartung. Em 2007, foi vice-governador na chapa de Hartung e acumulou a pasta de Transportes e Obras.  

Filho do também político Theodorico Ferraço e visto como alguém de perfil negociador, identificado com a centro-direita e com forte inserção institucional. Disputa o cargo de titular pela primeira vez, mas encarna a tentativa de reeleição indireta do grupo governista. 

Continua depois da publicidade

Lorenzo Pazolini, do Republicanos, tem 44 anos e é ex-delegado de polícia. Nascido em Vitória, foi deputado estadual antes de chegar à Prefeitura da capital, onde governou por dois mandatos.  

Com discurso de renovação administrativa e identidade forte com o eleitorado conservador, tornou-se o principal nome de oposição ao grupo de Casagrande e Ferraço, e a principal aposta da direita no Espírito Santo.