Contra o impeachment

“Espero que seja uma lição”: Lula, Haddad e movimentos sociais comemoram protesto

Com tom inclusivo, protesto une setores da esquerda e grita palavras de ordem “contra golpe” e “a favor da democracia”

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São Paulo 18/03/2016 Ato em Defesa da Democracia na Avenida Paulista . Foto Paulo Pinto/Agencia PT
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SÃO PAULO – O ato contra o impeachment da presidente Dilma nesta sexta-feira, 18 de março, contou com a participação de nomes de peso do PT, como Fernando Haddad e o ex-presidente Lula.

Gritando palavras de ordem contra “golpe”, “a favor da democracia” e da inclusão de classes mais pobres, Lula discursou por cerca de 20 minutos, sempre mantendo um tom conciliador entre as pautas dos partidos de esquerda. “Eu vou completar 70 anos de idade e nunca achei que que nada mais pudesse me emocionar. Espero que [a participação] aqui hoje seja uma lição a quem duvida do povo”, disse o ex-presidente na abertura de sua fala.

Recebido com aplausos e gritos de “Lula, guerreiro do povo brasileiro”, falou em direitos conquistados e na possibilidade de protestar. “Protestem”, disse, fazendo referência às manifestações pedindo impeachment da presidente Dilma. “Eu nasci protestando. Não quero diminuir essas pessoas para subir, quero subir junto com eles”.

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Ministério
Sobre a nomeação de Lula à Casa Civil, que foi suspensa pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) durante os protestos – ainda cabendo recurso, Lula disse que aceitou participar do governo Dilma por acreditar que “dois anos e 10 meses é o suficiente para mudarmos a história do Brasil”. Atribuindo a crise à ingovernabilidade por conta da rebelião de partidos da base, ele disse ser importante ajudar a presidente a “governar tranquilamente”, pois só assim ela conseguirá “fazer o que é preciso” pelo país.

Ele também afirmou que relutou em aceitar o cargo, que teria sido oferecido em agosto de 2015. “Em época de crise, a gente junta todo mundo”, cravou o petista.

“Não é em defesa de um governo”
Também discursou aos manifestantes o prefeito de São Paulo Fernando Haddad. Efusivamente aclamado, o político disse que a movimentação não se tratava de “defesa de um governo, partido, um homem ou uma mulher, mas em defesa da democracia”. Para ele, que se definiu como um “democrata até as últimas consequências”, os direitos mínimos que a constituição estabelece estão em jogo. “Uma condução coercitiva de uma pessoa que nunca se negou a prestar depoimento é uma violência”, disse Haddad, que também condenou a divulgação de conversas pessoais de figuras públicas.

O público
Pedindo por direitos de trabalhadores e minorias – mulheres, negros, classes sociais mais baixas e comunidade LGBT – as palavras de ordem eram direcionadas contra a “elite branca” que os manifestantes diziam estar presente no protesto do último domingo, 13. Sobre o carro em que discursou Lula, falaram representantes do PCO, PSP, UNE, Frente Brasil Popular e do próprio PT. Na marcha, também via-se bandeiras da CUT, PCdoB e movimentos feministas. 

Eventualmente, figuravam pessoas vestindo camisas e bandeiras do Brasil: algumas contrárias às manifestações, outras, gritando junto com a massa. Entretanto, não pareceu ter havido nenhum confronto fisico. 

De acordo com a organização do evento, o ato reuniu cerca de 380 mil pessoas. A contagem do Datafolha, por sua vez, afirma que foram 95 mil.

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