Internacional

Escândalo da Petrobras ajuda a trazer incertezas para eleições, diz New York Times

Publicação americana relembra a história de Paulo Roberto Costa e afirma que crise da estatal também ressalta diferentes visões de gestão da companhia

SÃO PAULO – Se as eleições deste ano já estavam acirradas, para a imprensa internacional o escândalo envolvendo um esquema de propina na Petrobras (PETR3; PETR4) só colabora para complicar ainda mais a corrida eleitoral. Para o The New York Times, não são apenas as ilegalidades, mas também a diferente visão de como deve ser a gestão da estatal acabam se encontrando nas opiniões de cada candidato.

Em destaque, a matéria, assinada pelo correspondente no Brasil Simon Romero, resume a história de Paulo Roberto Costa, pivô de todo o escândalo. O ex-diretor da Petrobras foi preso no início do ano durante a operação Lava Jato e no mês passado participou de uma delação premiada para conseguir reduzir sua pena. Em suas declarações, Costa entregou o nome de diversos políticos envolvidos nas propinas, o que segundo ele poderia abalar as eleições.

De acordo com a publicação, o ex-diretor vivia o “sonho de todo homem do petróleo”. Dono de um iate, carro blindado e mais de US$ 25 milhões em contas no exterior. “Mas o sonho evaporou quando ele foi preso”, destaca o NYT. Apesar de, até agora, não ter tido todo o impacto que Costa disse que teria, suas denúncias ajudaram a criar um clima de incertezas sobre o governo, colaborando no acirramento da corrida eleitoral.

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A matéria relembra o vazamento dos depoimentos de Costa e até a recente denúncia em que ele afirma que o ex-presidente do PSDB também recebeu propina da petrolífera. “O caso tem sido um importante desafio para a presidente Dilma Rousseff”, que destaca o complicado cenário faltando menos de uma semana para a decisão nas urnas.

O NYT, por fim, ressalta que essas denúncias ajudam a aumentar o debate sobre como a Petrobras, “que fez uma das maiores descobertas de petróleo do século”, deve ser gerenciada. De acordo com o jornal, Dilma, desde que assumiu a presidência, aumentou as intervenções do governo na empresa. Enquanto isso, Aécio já declarou que as denúncias de corrupção na estatal mostram que a administração da companhia ficou muito politizada.