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Equipe econômica da Dilma não surpreende e mercado deve focar na política fiscal

Economistas destacam que corte nos gastos, se executado, pode aliviar pressão inflacionária em 2011; Selic pode subir em janeiro

SÃO PAULO – A composição da equipe econômica do governo de Dilma Rousseff nos próximos quatro anos não trouxe surpresas para os economistas. O atual ministro da Fazenda, Guido Mantega, vai permanecer no cargo, enquanto Miriam Belchior vai liderar o Ministério do Planejamento e Alexandre Tombini provavelmente presidirá o Banco Central, à espera do aval do Senado.

“Os três me parecem muito cheios de boas intenções”, disse André Perfeito, economista-chefe da Gradual Corretora. “No entanto, ainda temos que ver a funcionalidade das três pastas. Os desafios são grandes: conduzir uma política monetária que controle a inflação e ao mesmo tempo faça cair o juro, uma política fiscal rígida que ainda faça gerar investimentos”.

Segundo o economista-chefe da Planner, Rodney Otero Melhados, as mudanças com a nova equipe são poucas. “A principal mudança que vai trazer impacto, principalmente para a política monetária, é o Banco Central, que está um pouco mais enfraquecido”, disse. 

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O economista também revelou sua análise sobre os cargos de Mantega e Belchior. “Na outra ponta, o Ministério da Fazenda ficará igual com o Mantega. O Ministério de Planejamento estará um pouco mais fortalecido, principalmente porque eles vão drenar um pouco do poder da Casa Civil e colocar na mão do Ministério do Planejamento, especialmente no que se trata ao PAC (Programa de Aceleração do Desenvolvimento)”, disse Melhados.

Atenção ao corte de gastos!
De acordo com os economistas ouvidos pela InfoMoney, a política fiscal deverá ser um dos principais pontos de atenção no governo de Dilma, especialmente no primeiro ano de mandato. “Eu vi que o Mantega disse que pretende cortar gastos. Ele não demonstrou neste ano que isso é um fato. Pelo contrário, ele adotou uma política fiscal frouxa no ano em que ele não precisava fazer isso”, argumentou Melhados.

O economista destacou ainda que as sinalizações da própria presidente eleita Dilma Rousseff estão “um tanto quanto contraditórias”, sendo que uma hora ela diz que vai cortar gastos e outra ela afirma que vai elevar o salário mínimo acima da inflação. “O Mantega assumiu uma posição um pouco mais categórica, mas vamos ter que pagar para ver, pois o histórico recente não aponta para isso”, disse Melhados, cético em relação à uma política fiscal mais rígida.

Por sua vez, Rossano Oltramari, economista-chefe da XP Investimentos, avalia que a questão da política fiscal é crucial. Ele ressaltou que 2010 foi um ano de elevados gastos públicos, porém, tradicionalmente o primeiro ano de um novo governo é marcado por uma redução nos gastos. “Para pôr a casa em ordem”, brincou. “O governo Dilma deve ir nesta linha sim, mantendo maior controle sobre os gastos, principalmente em 2011”, disse.

Demonstrando preocupação, a economista-chefe da Rosemberg & Associados, Thais Zara, também segue a tese de que é preciso impor limites nos gastos públicos no próximo governo. “A maior preocupação é justamente com a construção da política fiscal e os limites que ela vai ter que impor sobre a política monetária. A demanda já está aquecida e se você continuar com uma política fiscal frouxa, acaba fazendo com que a política monetária seja mais afetada”, disse.

Contudo, o economista-chefe da Prosper, Eduardo Velho, comentou positivamente a fala de Guido Mantega nesta sessão. Segundo o ministro, uma forte redução de gastos poderá ser adotada. “Isso para minha avaliação sinaliza que a Dilma deve iniciar o seu mandato utilizando aquele decreto de contingência fiscal para adequar sua linha de compromisso com a meta de superávit primário”, disse. De acordo com o economista, isto é um fator que ajuda a aliviar a curva de juros. 

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Apostas seguem de alta na Selic
Em geral, os economistas não possuem consenso sobre a taxa básica de juro, mas há quem acredite que iniciará o próximo ano sendo elevada já na primeira reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), em janeiro. “Eu acho que isso vai mesmo acontecer, porque as projeções para a inflação estão se deteriorando, o mercado interno está absorvendo o muito do choque de alimentos externos e da alta das commodities, a gente tem um declínio latente entre oferta e demanda no mercado interno, então, a alta nos juros é um fato já”, destacou Melhados, da Planner.

De acordo com ele, é preciso saber apenas se o novo presidente terá “coragem” para implementar essa elevação no juro básico. Melhados lembrou que os dois últimos presidentes do BC adotaram um aperto monetário logo na primeira reunião da autoridade monetária brasileira.

“Por enquanto, nós temos trabalhado com uma elevação um pouco mais para frente, até por conta do cenário internacional, mas existe tal hipótese. Eu acho que vai depender muito do desenvolvimento das expectativas de inflação até o final do ano, e também do desenrolar dos preços das commodities no mercado internacional e os impactos que isso vai ter sobre o mercado nacional”, argumentou, por sua vez, Thais, da Rosemberg.

Também há quem tenha dúvidas. “Eu tenho que rever isso. Não é tão certo que tenha alta na Selic logo na primeira reunião do Copom. Vamos ver como vai se comportar a reunião de dezembro para ter um cenário mais claro. Esta pode ser a primeira reunião do Tombini (em janeiro de 2011). A rigor sim, tem espaço para aumentar os juros no começo do ano, mas eu não tenho certeza disso agora não”, avaliou Perfeito, da Gradual.

Já Oltramari, da XP, avalia que a corretora segue com perspectiva de manutenção da taxa Selic em seu atual patamar de 10,75% ao ano até o segundo semestre do ano que vem.

Impacto no mercado de ações
Os mercados acionários atravessaram sessões instáveis nos últimos dias, mas retomaram parte das perdas nesta quarta-feira (24). Em geral, os economistas avaliam que a confirmação da nova equipe econômica do governo Dilma não deve pesar tanto sobre as ações, uma vez que os nomes já eram discutidos anteriormente.

Mesmo assim, eles destacam que a notícia pode pesar positivamente caso o clima nas bolsas externas melhore, a medida em que a ajuda à economia irlandesa for esclarecida e os indicadores nos EUA mostrem uma melhora.