Saiu no o Globo

Envolvidos em diversos casos de corrupção no Brasil tinham contas no HSBC suíço

Conforme apurou o jornal O Globo, em parceria com o UOL, no acervo de 8.687 brasileiras que foram correntistas do HSBC de Genebra, estão ao menos 23 personagens de dez casos de suspeita de fraude e desvio de dinheiro público ou fraudes

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SÃO PAULO – O escândalo que ficou conhecido como Swissleaks, que revelou contas secretas no HSBC da Suíça de diversas personalidades, também mostra que envolvidos em diversos casos de corrupção no Brasil guardaram dinheiro em contas secretas na instituição financeira. 

Conforme apurou o jornal O Globo, em parceria com o UOL, no acervo de 8.687 brasileiras que foram correntistas do HSBC de Genebra, estão ao menos 23 personagens de dez casos de suspeita de fraude e desvio de dinheiro público ou fraudes. Dentre eles, o caso Alstom, a operação Lava Jato e até casos mais antigos e que remete aos anos entre 1989 e 1991, com o desvio de US$ 310 milhões da Previdência Social. 

Os nomes foram descobertos ao consultar um conjunto de dados vazados em 2008 de uma agência do “private bank” da sede da instituição financeira em Genebra. Não se sabe precisamente quanto foi o valor que circulou na conta dos 23 brasileiros, destaca o jornal mas, com base nos valores disponíveis, encontrou saldos que variaram de US$ 1,3 mil a US$ 6,9 milhões. 

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O jornal destaca que ter uma conta numerada na Suíça não pressupõe, a princípio, nenhum crime, havendo declaração à Receita Federal e ao Banco Central. “Mas a natureza das contas garante a seus donos anonimato, o que chamou a atenção de autoridades brasileiras que investigam o caso”.

Entre os nomes, está Henry Hoyer de Carvalho, ex-dirigente da Associação Comercial e Industrial da Barra da Tijuca, que foi citado pelos delatores Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef em depoimentos tomados pela Operação Lava-Jato como operador do esquema de pagamento de propinas por contratos da Petrobras para parlamentares do PP. Já em relação ao caso Alstoms, dois engenheiros que foram dirigentes do Metrô de São Paulo, Paulo Celso Mano Moreira da Silva e Ademir Venâncio de Araújo, abriram contas na Suíça na época em que a estatal assinou um contrato com a multinacional francesa.

Já o juiz Nestor José do Nascimento, o advogado Ilson Escossia da Veiga e o procurador do INSS Tainá de Souza Coelho, três personagens importantes da maior fraude já cometida contra a Previdência Social no Brasil, também aparecem na lista de correntistas.