Segundo colunista

Entrevista de Dilma antes do julgamento no TSE foi considerada uma bomba… para a própria Dilma

Em entrevista para a Folha na véspera, Dilma praticamente corroborou a tese de que Temer não teve a chamada “responsabilidade objetiva“ por eventuais irregularidades no caixa, de acordo com a avaliação de juristas

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SÃO PAULO – A entrevista de Dilma Rousseff à Folha de S. Paulo, publicada na terça-feira (4), dia do julgamento no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) da chapa Dilma-Temer, foi considerada uma bomba. Mas para a própria Dilma.

É o que informa a colunista Vera Magalhães, do jornal O Estado de S. Paulo. Na entrevista publicada na véspera, a ex-presidente disse que Marcelo Odebrecht “sofreu muitos tipos de pressão” para aceitar virar delator e que seus depoimentos são “uma coisa absolutamente ridícula”. Ela também criticou a tese de que seria possível separar as contas da chapa. “Nós pagamos integralmente todas as despesas dele”, afirmou, em referência a Michel Temer. 

De acordo com a colunista, um dos únicos consensos entre ministros, advogados e procuradores na tumultuada sessão de ontem do Tribunal era de que a entrevista concedida por Dilma foi um desastre para ela própria. “Advogados ligados ao PT já se arrepiaram de a ex-presidente abrir o verbo sobre o caso que pode levar à perda de seus direitos políticos justamente ontem”, aponta.

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Com a afirmação de que seu comitê financeiro custeou quase todas as despesas de Michel Temer, de jatinhos ao pagamento de salário de assessores, e foi responsável pelo grosso da arrecadação, Dilma praticamente corroborou a tese de que Temer não teve a chamada “responsabilidade objetiva” por eventuais irregularidades no caixa. Vale destacar que o MPE (Ministério Público Eleitoral) pediu a cassação da chapa vencedora das eleições de 2014, mas pediu somente a inelegibilidade de Dilma Rousseff. Neste cenário, se a chapa for cassada e forem convocadas eleições indiretas, Temer poderia, a princípio, se candidatar (confira mais detalhes aqui). 

Assim, um jurista simpático ao PT viu como “um desastre completo a entrevista”, enquanto dois ministros do TSE expressaram a mesma opinião.