Entenda operação da PF que teve o ex-senador Fernando Bezerra e filhos como alvos

Família é investigada em operação que apura o desvio de emendas parlamentares por meio de licitações com empresa que participava do suposto grupo criminoso

Caio César

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A Polícia Federal cumpriu, na manhã desta quarta-feira (25), 42 mandados de busca e apreensão nos estados da Bahia, Distrito Federal, Goiás, São Paulo e Pernambuco no âmbito da Operação Vassalos, que investiga desvio de emendas parlamentares em licitações fraudulentas. Um dos alvos centrais da operação é o ex-senador Fernando Bezerra (MDB-PE).

A ação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino.

Bezerra e seus filhos, o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho e o deputado federal Fernando Filho (União-PE), são investigados por integrar uma suposta organização composta por agentes públicos e privados, suspeita de desviar um repasse de R$ 22 milhões em emendas parlamentares, às direcionando para empresas vinculadas ao grupo.

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No esquema, os valores repassados às empresas posteriormente eram desviados no pagamento de vantagens indevidas e ocultação de patrimônio. Além de organização criminosa, a investigação apura os crimes de peculato, corrupção e lavagem de dinheiro.

O que está por trás do desvio

Em novembro de 2025, a prefeitura de Petrolina, governada por Coelho, inaugurou a primeira etapa da Orla 3, um projeto que duplicou avenidas, implantou ciclovias e fez melhorias de iluminação da área na cidade, melhorias em parte bancadas com R$ 22 milhões enviados em 2021 pelo então senador Fernando Bezerra, cujo irmão é dono de um terreno na região do empreendimento e negocia uma indenização por causa da desapropriação.

Para a verba chegar aos cofres de Petrolina, foi necessário assinar um convênio entre a prefeitura e a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), cujo chefe local à época assessorou Bezerra durante o mandato no Senado.

Posteriormente e já fora da prefeitura, Coelho passou a atuar nos negócios imobiliários da região, inflados pela grande reforma. Procurado na ocasião pelo O Globo, o ex-prefeito disse que tem se dedicado “à atividade empresarial, especialmente no setor imobiliário”, desde que deixou a prefeitura, em março de 2022.

Coelho afirmou não participar de nenhum negócio no setor imobiliário na Orla 3, e que o edifício citado como empreendimento ficaria na Orla 2. No entanto, os trechos da orla são contínuos e fazem parte do mesmo projeto de revitalização da região, o que faz com que o condomínio citado fique a cerca de 200 metros do início formal da área reformada.

O ex-prefeito acrescentou que assinou o “contrato de permuta com o empreendimento” em 2023 e não é proprietário do terreno.

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O que diz a defesa dos Bezerra

Em nota enviada aos jornais, a defesa da família Coelho afirma que ainda não teve acesso à decisão do ministro Flávio Dino, e que os mandados “vieram desacompanhados dos motivos que ensejaram as medidas cautelares”.