Agenda agitada

Enquanto Dilma está nos EUA, Lula vai a Brasília: ele explica “volume morto” e cobra PT

E a agenda para o ex-presidente foi bastante movimentada; ontem Lula convocou deputados federais e senadores do PT para se unirem em defesa do partido. Já hoje, ele falou com senadores do PMDB

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SÃO PAULO – Enquanto a presidente Dilma Rousseff está em uma visita oficial nos EUA, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi à Brasília e teve um encontro nesta segunda-feira e outro nesta terça-feira, com a bancada do PT no Congresso Nacional e com senadores do PMDB, respectivamente. 

E a agenda para o ex-presidente foi bastante movimentada. Ontem Lula convocou deputados federais e senadores do PT para se unirem em defesa do partido e do governo da presidente Dilma de forma imediata.  Lula destacou ainda que é preciso “virar a página” do ajuste fiscal e falar de propostas para o crescimento. 

Uma das maiores preocupações de Lula é com o carimbo de partido corrupto que, na opinião do ex-presidente, não está sendo rebatido pelos petistas. 

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“O presidente chamou a atenção, e nós estamos de acordo, de que é preciso virar a página do discurso político”, disse, após o encontro, o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), para quem o encontro, no Centro de Convenções Israel Pinheiro, em Brasília, serviu para afinar o discurso dos petistas em torno da política econômica e do cenário pós-ajuste fiscal.

Segundo Costa, o ex-presidente ressaltou a necessidade de destacar as ações do governo, como o programa de investimento em logística, o Minha Casa, Minha Vida, entre outros. “[É preciso] esquecer esse discurso do ajuste e passar fortemente para a defesa do programa de crescimento de retomada do emprego, de controle da situação econômica do país.”

O líder do governo na Câmara, José Guimarães (CE), informou que o encontro tratou também da defesa do partido e do governo da presidente Dilma Rousseff. “Foi uma reunião em que mais se defendeu a presidenta Dilma, foi o que mais o Lula fez na reunião”.

O líder do partido na Câmara, Sibá Machado (AC), disse que serão intensificadas as ações conjuntas das bancadas no Congresso e ampliada a interlocução com os movimentos sociais. “Vamos municiar nossa bancada para agir nas agendas [do Legislativo], de maneira mais organizada e em diálogo com os movimentos sociais, levando as pautas da sociedade para o Congresso.”

Críticas e afagos
O ex-presidente fez críticas e afagos à Dilma Rousseff, especialmente à falta de diálogo com todos os setores, mas também constatou de que “o governo não pode sobreviver sem o PT e vice-versa”.

Lula ainda explicou aos petistas em que contexto fez a afirmação de que “o PT está em volume morto” que, segundo ele, já tinha sido feita diretamente para Dilma e não se referia apenas ao governo, mas também a ele mesmo, de acordo com informações do Valor. 

“Ninguém duvida do caráter e do compromisso dela [Dilma] com as pessoas”, afirmou. 

Encontro com senadores
Já em encontro com líderes da base aliada no Senado hoje, Lula disse que a presidente Dilma Rousseff deveria reunir os Poderes para “encontrar saídas” para o Brasil e destacou a importância da aliança. De acordo com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), durante café da manhã com senadores governistas, Lula também debateu reforma política e criticou a possibilidade do fim da reeleição, aprovada pela Câmara dos Deputados.

“Conversamos só sobre reforma política. Ele, me parece que veio em missão de paz, e colaborou bastante com as discussões”, disse o peemedebista. “Ele acha que a presidente [Dilma Rousseff] deveria se reunir mais com os Poderes, conversar permanentemente, na busca de saídas para o Brasil. Definitivamente, ele veio em missão de paz, conversou bastante, defendeu pontos de vista em relação à reforma política, uma conversa produtiva”, acrescentou o peemedebista.  

“Nós fizemos uma conversa, dando continuidade ao calendário de discussão da Reforma Política. Foi uma conversa muito boa. O ex-presidente Lula colaborou bastante, defendeu pontos de vista e deu opiniões”, prosseguiu. 

Segundo Calheiros, Lula criticou a possibilidade do fim da reeleição por considerar o mandato de quatro anos muito “curto”. “Ele disse que não achava oportuno o fim da reeleição. Ele achou que um mandato de quatro anos é muito curto para não ter reeleição. Se fosse de cinco, tudo bem, mas ele acha difícil a extensão dos mandatos”, relatou o presidente do Renan, anfitrião do encontro, realizado na residência oficial da presidência do Senado. 

(Com Agência Brasil)