Pós Operação Acarajé

“Encontro da Lava Jato com TSE teria potencial de implodir governo Dilma”, diz analista

Gabriel Petrus aponta que agora, pela primeira vez, a fase da Lava Jato traz avanço da operação na antessala da campanha da Presidente Dilma

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SÃO PAULO – A Polícia Federal deflagrou na manhã de hoje (22) mais uma fase da Operação Lava Jato, chamada Acarajé, cumprindo mandados em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Salvador. 

O marqueteiro João Santana, que trabalhou nas duas campanhas da presidente Dilma Rousseff e na reeleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teve pedido de prisão decretado em nova etapa da operação Lava Jato lançada nesta segunda-feira, que também tem como alvo mais uma vez a empreiteira Odebrecht. Com isso, os temores do Palácio do Planalto devem aumentar, já que leva a campanha de Dilma para o centro da Lava Jato. 

João Santana aparece na “Acarajé” pela suspeita dos investigadores de que ele teria recebido pagamento da Odebrecht no exterior a fim de quitar compromissos de campanha. Ou seja, aumenta a suspeita de que teria havido uma doação ilegal feita no exterior para a campanha de Dilma, o que reforça a tese de cassação da chapa Dilma -Michel Temer no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).  Dilma sempre negou o recebimento de recursos ilegais nas campanhas de 2010 e 2014. 

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O analista político da Barral M. Jorge, Gabriel Petrus, destaca que “o encontro da Lava Jato com o TSE tem o potencial de implodir o governo”. “No nosso modelo de análise de risco, as operações Lava Jato e o processo no TSE eram mundos independentes, cada um com suas variáveis e seu grau de afetação para a estabilidade do governo. O que aconteceu hoje pode mudar essa lógica”, afirma o analista. Antes seriam mundos independentes porque, anteriormente, os atores principais eram distintos: empreiteiras, na Lava Jato e partidos políticos e suas contas de campanha, no TSE. “Agora, há um risco dos caminhos se encontrarem”, afirma. 

Petrus aponta que agora, pela primeira vez, a fase da Lava Jato traz avanço da operação na antessala da campanha da Presidente Dilma. 

E, a partir deste momento, o avanço da ação no TSE dependerá da capacidade de assimilação do processo no Tribunal dos novos fatos da Lava Jato. “O mundo do direito tem velocidade distinta do mundo político, por conta das diversas particularidades recursais. Resta saber até quando resistirá a separação entre esses dois tempos – e isso será determinante para aferir a capacidade de resiliência do governo frente a essa nova operação”, afirma Petrus.

Em coletiva, a Polícia Federal destacou que foi descoberta, durante as buscas, uma planilha com registros de despesas de campanhas eleitorais de 2008 e 2012, ligadas ao PT. A planilha traz a sigla M.O., que, segundo a PF, seria uma referência a Marcelo Odebrecht. João Santana também teria recebido US$ 4,5 milhões do engenheiro Zwi Skornicki, por meio de nove transferências. Porém, eles destacam que não estão investigando crime eleitoral. 

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