Empréstimo à Petrobras gera polêmica, divide opiniões, inquieta Senado e afeta ação

'Trivial' para a empresa, mas 'estranho' para deputados, empréstimo junto à CEF deverá ser explicado pelos envolvidos

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SÃO PAULO – Em virtude de necessidades de geração de caixa, a Petrobras tomou empréstimo de R$ 2 bilhões junto à Caixa Econômica Federal (CEF) nesta quinta-feira (27). Em meio à desconfiança gerada pela operação, o Senado convocou os presidentes da petrolífera, da CEF, do Banco do Brasil e do Banco Central a dar explicações sobre a situação financeira da estatal.

Almir Barbassa, diretor-financeiro da Petrobras, classificou como “trivial” o fato de a petrolífera ter contraído tal empréstimo. “É normal da empresa operar no mercado. É o meu dia-a-dia. Sou pago para isso”, declarou. Segundo ele, ao longo deste ano foram feitas 21 operações de captação junto a outras instituições financeiras semelhantes à realizada junto à CEF.

No total, estas operações somaram US$ 6,7 bilhões. Na visão do diretor, a empresa está saudável, operando normalmente, pagando suas dívidas e contraindo novas: “Tudo absolutamente normal”, reiterou.

Acusação “ridícula”

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A opinião é partilhada pela ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff, que garantiu que Petrobras não está descapitalizada e considerou como “ridículas” as declarações feitas na última sessão pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).

Dilma, que também preside o Conselho de Administração da Petrobras, informou que a estatal apenas passou por um problema “imediato” de caixa para pagar impostos. De acordo com a ministra, o empréstimo é uma operação financeira que se faz normalmente no mercado.

Nem corriqueiro nem normal

Por sua vez, Jereissati declarou que o empréstimo “não é corriqueiro nem normal”. O senador afirmou que o maior devedor da CEF atualmente é o governo federal, com uma dívida de R$ 700 milhões e, ainda assim, concedeu o empréstimo de R$ 2 bilhões à Petrobras, o que foi “um equívoco” para o senador.

Jereissati classificou como “estranho” o fato do governo afirmar que não há crédito para a Petrobras no exterior e que foi por isso que a estatal petrolífera recorreu à CEF. “A Petrobras e a Vale são empresas maiores, que têm crédito aqui e lá fora. Tudo leva a crer que, além do problema de liquidez, a Petrobras está com problema de caixa”, afirmou o senador.

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio, também manifestou estranheza quanto à operação financeira. “Precisamos esclarecer as razões pelas quais a Petrobras não vai à banca privada, como seria o normal, e recorre a um banco público que não tem autoridade para efetuar esse tipo de empréstimo”, disse.

E por que não a Caixa?

Questionado se a Petrobras teve problemas de conseguir recursos com bancos privados e por isso recorreu à CEF, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão respondeu: “e por que não a Caixa?”. Para o ministro, foram “dificuldades momentâneas” que levaram a Petrobras a contrair o empréstimo.

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“Houve uma contabilização de impostos e a Petrobras teve de pagar com o dinheiro com o qual não contava e foi isso que gerou a necessidade (do empréstimo)” segundo Lobão. O ministrou avalia que a estatal teve um problema momentâneo no caixa porque teve de pagar impostos que não foram gerados por lucro, mas sim pela valorização do dólar.

Convite para esclarecimentos

A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprovou a convocação dos presidentes de Petrobras, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Banco Central para discutir a situação financeira da estatal petrolífera. A audiência pública foi solicitada pelos senadores Arthur Virgílio e Tasso Jereissati.

Diante do embate entre os diferentes pontos de vista, restou ao investidor a incerteza. Em sessão de baixo volume de negócios, a ação da Petrobras foi das principais responsáveis pela quebra do recente ciclo positivo do Ibovespa. As preferenciais (PETR4)
marcaram queda de 2,78%, enquanto as ordinárias (PETR3) caíram 2,48%.