Empresas ligadas a parentes de Toffoli teriam fundo associado a caso Master, diz site

Segundo apuração da Folha, fundo Arleen investiu em negócios de familiares do ministro e aparece conectado à estrutura financeira investigada por suspeitas de fraude

Equipe InfoMoney

Publicidade

Duas empresas ligadas a familiares do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), teriam tido participação de um fundo de investimentos que integra a cadeia financeira associada às suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master, segundo documentos e dados oficiais analisados e publicados pela Folha.

Segundo a publicação, o fundo Arleen manteve, até pelo menos maio de 2025, investimentos em duas companhias relacionadas a parentes do ministro: a Tayayá Administração e Participações, responsável por um resort em Ribeirão Claro (PR), e a DGEP Empreendimentos, incorporadora imobiliária da mesma cidade que teve como sócio um primo de Toffoli.

O Arleen não é alvo de investigação, mas aparece conectado, por meio de outros fundos, à estrutura apontada pelo Banco Central como parte da suposta teia de fraudes do Master.



A ligação ocorre porque o Arleen foi cotista do fundo RWM Plus, que também recebeu recursos de fundos associados ao Maia 95 — um dos seis veículos citados pelo BC nas apurações sobre o banco controlado por Daniel Vorcaro. Todos esses fundos tinham como administradora a Reag, empresa investigada na operação Carbono Oculto, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro para o PCC.

Procurado, o STF informou, por meio da assessoria, que Toffoli não se manifestou até a publicação da reportagem da Folha. Parentes do ministro, assim como o Banco Master e a Reag, também não comentaram.

Entenda

Criado em 2021, o Arleen tinha apenas um cotista e foi encerrado no fim de 2024, apesar de seu prazo original de duração ser de 20 anos. No último balanço disponível, de maio de 2025, o fundo concentrava seus recursos em quatro ativos, incluindo as duas empresas ligadas à família de Toffoli e o RWM Plus.

Toffoli é o relator do inquérito que apura as fraudes atribuídas ao Banco Master. O caso chegou ao STF após a defesa de Vorcaro alegar que a investigação deveria tramitar na Corte. Desde então, decisões do ministro — como a condução do processo sob sigilo e a convocação de uma acareação envolvendo um diretor do Banco Central — geraram questionamentos.

As relações societárias citadas constam em bases da Receita Federal e em documentos da CVM, analisados pela Folha com apoio de plataformas de jornalismo investigativo.

Continua depois da publicidade

Uma auditoria registrada na CVM em maio de 2025 apontou falhas na documentação do Arleen, levando a empresa responsável a se abster de emitir parecer sobre as contas do fundo.