Contramão

Empresários veem baixo impacto do coronavírus nos negócios

Levantamento feito com 529 empresas mostra que apenas 21% esperam grande influência da doença sobre o futuro das atividades

SÃO PAULO – Confirmados nove casos de coronavírus no Brasil e em meio ao mergulho das bolsas mundiais e queda nas expectativas para o desempenho das economias, uma sondagem feita pela XP Investimentos com empresários de diversos setores em atividade no país mostra que 50% ainda não sentiram o impacto da doença.

O levantamento consultou 529 empresas de todos os portes entre os dias 28 de fevereiro e 3 de março, por meio de formulário online, e vai na contramão da percepção do mercado financeiro sobre a evolução da doença e os impactos provocados na economia real.

Apenas 12% dos respondentes dizem que os impactos do novo coronavírus sobre os negócios foram grandes ou muito grandes. Por outro lado, 39% afirmam que os efeitos foram pequenos ou muito pequenos.

Até agora, as consequências da chegada do coronavírus estão sendo sentidas de forma mais intensa entre as empresas de grande porte (com faturamento superior a R$ 300 milhões): 22% afirmaram ter tido impacto grande ou muito grande.

Entre as empresas de médio porte (com faturamento entre R$ 4,8 milhões e R$ 300 milhões), 49% relataram não ter sentido efeitos e outros 40% verificaram impacto pequeno ou muito pequeno.

A menor influência da disseminação do vírus foi registrada entre micro (com faturamento menor ou igual a R$ 360 mil) e pequenas (com faturamento entre R$ 360 mil e R$ 4,8 milhões) empresas: 53% responderam não ter sofrido impacto e outros 46% relataram efeitos pequenos ou muito pequenos.

Entre as principais ocorrências registradas até o momento, estão redução ou postergação de demanda (25%), atraso de fornecedores sem impacto na produção da empresa (21%), atraso de fornecedores com impacto na produção da empresa (15%), aumento na demanda (9%) e trabalhadores com suspeita ou caso confirmado (4%).

Na contramão da tendência esperada, 9% observaram um aumento de demanda por seus produtos ou serviços. Entre o setor de saúde, que corresponde a 7% do universo da amostra, 33% informaram aumento de demanda.

Para o futuro, as expectativas dos empresários consultados tampouco são de graves consequências para as atividades. O levantamento mostra que 21% dos respondentes veem impactos grandes, ao passo que 11% não esperam nenhum impacto e 68% esperam efeitos pequenos.

Neste caso, as empresas de grande porte lideram as projeções pessimistas por margem menor.

Quando questionados sobre os impactos sobre o setor em que atuam, os empresários esperam efeitos mais intensos: 31% acreditam em impactos grandes, contra 8% de indicações de nenhum impacto.

A sondagem também mostra que, até o momento, 65% das empresas consultadas ainda não tomou medidas de prevenção. Deste grupo, cinco em cada oito dizem que não pretendem tomar nenhuma iniciativa nesse sentido.

Entre os 35% que já tomaram medidas, as grandes empresas novamente se destacam.

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