Após saída

Em vídeo após desfiliação, Marta diz que PT se desviou do caminho e se contaminou no poder

A parlamentar integrou a sigla petista por 33 anos e ajudou a fundar o partido mas, nos últimos meses, adotou uma postura crítica em relação ao PT; hoje, ela anunciou a sua desfiliação ao partido

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SÃO PAULO – A senadora Marta Suplicy entregou na manhã desta terça-feira (28) ao PT a sua carta de desfiliação da legenda. A parlamentar integrou a sigla petista por 33 anos e ajudou a fundar o partido mas, nos últimos meses, adotou uma postura crítica em relação ao PT.

Pouco após a reeleição de Dilma Rousseff, Marta adotou uma postura crítica ao Executivo Federal e, em sua carta de demissão do ministério da Cultura, fez críticas indiretas à condução da política econômica no primeiro mandato da petista.

Em sua página no Facebook, Marta postou um vídeo em que fala que tem orgulho de ter lutado para melhorar a vida dos brasileiros mais pobres que nunca tiveram chance neste País.

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“Mas o PT acabou se desviando do caminho certo e se contaminando com o poder. Eu quero dizer hoje a vocês que eu não me desviei dos valores que meus pais me ensinaram e que eu ensinei aos meus filhos. Que eu não me desviei da luta por um país mais justo. E que por essas razões, eu deixo hoje o partido. Não para desistir do caminho que iniciei há trinta anos. Mas para continuar a segui-lo”, afirmou a senadora, agora sem partido. A senadora ainda não divulgou quando deve se filiar a um novo partido. O PSB é o mais cotado para receber a ex-prefeita, que deve concorrer nas eleições municipais de 2016.

E, na carta de desfiliação, Marta criticou o PT ao dizer que é de conhecimento público que o PT tem sido o “protagonista de um dos maiores escândalos de corrupção que a nação brasileira já experimento.”

“Mesmo após a condenação de altos dirigentes, sobrevieram novos episódios a envolver a sua direção nacional. No meu sentir e na percepção de toda a nação, os princípios e o programa partidário do PT nunca foram tão renegados pela própria agremiação, de forma reiterada e persistente”, diz Marta no documento, ao citar que os crimes investigados geram não só “indignação”, mas também um “grande constrangimento”.

Ela ainda afirmou que foi “isolada e estigmatizada” e que os princípios e o programa partidário do PT “nunca foram tão renegados pela própria agremiação”.

Confira o vídeo de Facebook:

Veja a carta de desfiliação de Marta Suplicy:

“ILUSTRÍSSIMOS SENHORES PRESIDENTES NACIONAL, ESTADUAL E MUNICIPAL DE SÃO PAULO DO PARTIDO DOS TRABALHADORES – PT

Pedido de desfiliação partidária

MARTA TERESA SUPLICY, brasileira, nascida em 18/03/1945, filha de Luiz Affonso Smith de Vasconcellos e Noêmia Smith de Vasconcellos, natural de São Paulo, portadora da cédula de identidade RG nº 2.978.995-3, inscrita no CPF nº 699.158.908-00, portadora do Título de Eleitor nº 865.308.401-41, inscrita na Zona Eleitoral nº 251, Secção 0115, vem, por meio desta, requerer a sua DESFILIAÇÃO PARTIDÁRIA DO PARTIDO DOS TRABALHADORES – PT, pelos motivos e razões que passa a apresentar.

É de conhecimento público que o Partido dos Trabalhadores tem sido o protagonista de um dos maiores escândalos de corrupção que a nação brasileira já experimentou, sendo certo que mesmo após a condenação de altos dirigentes, sobrevieram novos episódios a envolver a sua direção nacional.

No meu sentir e na percepção de toda a nação, os princípios e o programa partidário do PT nunca foram tão renegados pela própria agremiação, de forma reiterada e persistente.

Para mim, como filiada e mandatária popular, os crimes que estão sendo investigados e que são diária e fartamente denunciados pela imprensa constituem não apenas motivo de indignação, mas consubstanciam um grande constrangimento.

Aqueles que, como eu, acreditaram nos propósitos éticos de sua carta de princípios, consolidados em seu programa e em suas resoluções partidárias, não têm como conviver com esta situação sem que esta atitude implique uma inaceitável conivência.

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Ao tentar empenhar-me numa linha de providências, fui isolada e estigmatizada pela direção do partido. Percebi que o Partido dos Trabalhadores não possui mais abertura nem espaço para o diálogo com suas bases e seus filiados dando mostras reiteradas de que não está interessado, ou não tem condições, de resgatar o programa para o qual foi criado, nem tampouco recompor os princípios perdidos.

Hoje o PT se distanciou completamente dos fundamentos que há 35 anos nos levaram a construí-lo com entusiasmo e envolvimento.

Por décadas, acreditei e dei o melhor de mim na perseguição de ideais que, com seus acertos e erros, não se distanciavam de um norte ético indiscutível e intransigente.

Hoje, entretanto, não me sinto mais em condições de cooperar com o que não faz mais sentido a mim e a milhões de brasileiros.

A direção do Partido dos Trabalhadores vem restringindo, cerceando e limitando a atuação e desempenho de minhas atividades partidárias e, o que é mais grave, da minha atividade parlamentar oriunda da representação política de meu mandato.

Os fechamentos de espaços são muitos, com acontecimentos e constrangimentos públicos que envolvem situações e ações que, no passado recente, chegaram ao limite de colocar em risco minha eleição como Senadora pelo Estado de São Paulo nas eleições de 2010.

Vivencio o mais difícil e o pior momento de minha vida política. Como membro do PT, encontro-me em situação absolutamente constrangedora na bancada e no Plenário do Senado. Tenho me furtado a discursar e emitir minhas opiniões por me negar a defender um partido que não mais me representa, assim como a milhões de brasileiros que nele um dia acreditaram. Situação sem sentido que não tenho mais condições de deixar perdurar.

Serei fiel ao meu mandato e permanecerei depositária dos valores defendidos por aqueles que votaram em mim, hipotecaram sua confiança pessoal, e abraçaram as ideias que defendo desde a época em que me tornei pessoa pública em programa diário de TV onde sempre me pautei por princípios éticos inegociáveis.

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Até onde pude, tentei reverter esta situação. Não fui ouvida. Não tenho compromisso com os reiterados desvios programáticos e toda sorte de erros cometidos.

Minha atuação como Senadora não pode ser isolada. Todo parlamentar precisa de um partido e o partido se expressa por meio de seus representantes eleitos.

Para quem é mandatária, como sou, eleita legitimamente por mais de 8 milhões de votos, resta-me a certeza de que minha prioridade é a fidelidade ao mandato que me foi outorgado pelo povo do Estado de São Paulo.

Como o exercício de meu mandato vem sendo claramente cerceado, em seu nome e em sua defesa, como representante popular, sinto-me na responsabilidade e no dever de agir neste sentido.

Diante do exposto, é a presente petição para REQUERER A MINHA DESFILIAÇÃO DO PARTIDO DOS TRABALHADORES – PT, a partir desta data.

São Paulo, terça-feira, 28 de abril de 2015.

MARTA TERESA SUPLICY”