Homenagem

Em sessão solene, Câmara faz homenagem a Eduardo Campos

De acordo com Eduardo Cunha, a morte prematura de Campos tirou do Brasil um dos seus melhores quadros em termos de gestão administrativa e articulação política

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Com o plenário Ulysses Guimarães cheio, a Câmara dos Deputados homenageou nesta quarta-feira o ex-deputado, ex-governador de Pernambuco e ex-ministro Eduardo Campos (PSB), morto em 13 de agosto de 2014 num acidente aéreo em Santos, durante a campanha eleitoral pela Presidência da República. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, abriu a série de pronunciamentos ao lado da viúva, Renata Campos, e da mãe do político pernambucano, a ministra do Tribunal de Contas da União (TCU) Ana Arraes.

De acordo com Eduardo Cunha, a morte prematura de Campos tirou do Brasil um dos seus melhores quadros em termos de gestão administrativa e articulação política. “Foi uma das maiores perdas que poderíamos ter para o futuro do País, mas as suas ideias continuam a contribuir para o nosso desenvolvimento”, ressaltou o presidente da Câmara. Segundo ele, Campos teria sido uma opção válida para os brasileiros em 2014 e, se não tivesse sorte na eleição passada, poderia ter em outra oportunidade.

Em vídeo exibido no plenário, Eduardo Campos aparece em várias etapas da sua vida. Numa entrevista, evita falar de si, observando: “Nossa vida fala de nós melhor do que as nossas palavras”. Em outra, durante a campanha, alerta sobre a economia do País: “Estamos colocando em risco o que muitos conquistaram com muito trabalho.”

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O deputado Luiz Lauro Filho (PSB-SP), autor da proposta de homenagem, disse que Eduardo Campos deixou o exemplo das suas atitudes e das suas obras, e lembrou uma frase marcante da campanha do ex-governador: “Não vamos desistir do Brasil”.

Já o deputado Fernando Coelho Filho (PSB-PE) elogiou a capacidade de Campos de unir os pensamentos mais diferentes e ressaltou a falta que ele faz hoje, em meio à crise política e econômica: “Parece que ele sabia o que estava para acontecer, e era nos momentos mais difíceis que sabia agir.”

Diálogo e revolução

Os governadores do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg; e de Pernambuco, Paulo Câmara, ambos do PSB, também compuseram a mesa de homenagem. “Eduardo Campos não era um simples idealista, mas um construtor; jamais conheci alguém com tanta capacidade para o diálogo”, disse Rollemberg. “Ele promoveu uma revolução em Pernambuco nas áreas de saúde, educação e segurança”, afirmou Paulo Câmara.

Representando a família, o filho de Eduardo, João Campos, disse que muitos perguntam o que o seu pai faria hoje, diante da situação atual. De acordo com João, seu pai pediria para que os brasileiros não deixassem de acreditar na força do povo e não perdessem a crença no País.

O deputado Heráclito Fortes (PSB-PI) recordou uma das observações de Campos: “Nós temos que discutir o futuro, porque é lá que vamos viver para sempre”. Fortes fez uma saudação ao ex-deputado Pedro Valadares Filho, que assessorava Eduardo Campos, e aos outros ocupantes da aeronave mortos no mesmo acidente: “De onde estiverem nos ouvindo, saibam que não vamos desistir do Brasil.”

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O poeta pernambucano Antônio Marinho, convidado a declamar um poema, terminou com um apelo de “abaixo a redução da maioridade penal”. Um grupo de jovens entrou no Plenário gritando: “Deputado, presta atenção; o Eduardo era contra a redução”.