Em sessão instável nos mercados, Ibovespa se descola e avança 0,80%

Resultados corporativos e expectativa sobre confirmação de Bernanke à frente do Fed trazem instabilidade; dólar sobe

SÃO PAULO – Em uma quinta-feira (28) marcada pela instabilidade nos mercados acionários, o Ibovespa conseguiu se descolar dos índices externos e encerrou em alta de 0,80%, após oscilar entre o terreno positivo e negativo. A expectativa em torno da nomeação do atual presidente do Fed Ben Bernanke para um novo mandato diante do BC norte-americano – já confirmada pelo Senado – também mexeu com os mercados, e as bolsas norte-americanas fecharam em queda.

O Ibovespa encerrou em alta de 0,80%, a 65.587 pontos, após cinco sessões consecutivas de baixa. O volume financeiro ficou em R$ 6,39 bilhões. Vale lembrar que na véspera o Copom (Comitê de Politica Monetária) decidiu pela manutenção da taxa básica de juro do País em 8,75% ao ano. A nota que acompanhou a decisão do comitê trouxe poucas pistas sobre os próximos passos da autoridade monetária.

Pela manhã, o mercado estava otimista, com a Ford postando lucro líquido de US$ 2,7 bilhões em 2009. Entretanto, o bom humor se reverteu durante a tarde, com a maior produtora de chips para celular dos EUA, Qualcomm, reduzindo projeções para o ano após postar resultado decepcionante. Em Wall Street, esta referência se traduziu em uma sessão amplamente negativa para as techs.

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Os títulos gregos mostram forte queda pelo terceiro dia consecutivo, com investidores apostando que a nação não conseguirá evitar um plano de ajuda da União Europeia para superar sua crise fiscal. Na Europa, as bolsas encerraram em queda, também impactadas pela notícia de que o governo britânico pretende vender sua parte em três grandes bancos (Lloyd’s, RBS e Northern Rock), na tentativa de levantar dinheiro.

Bolsa
As ações da Vivo encerraram como um dos principais destaques positivo do Ibovespa, após a recomendação de seus papéis ser elevada pelo Bank of America Merrill Lynch, de neutra para compra. Segundo os analistas, a relação entre risco e retorno do investimento agora parece convincente, após a queda recente dos papéis.

Os ativos da CSN também se destacaram na ponta compradora, após a CMVM (Comissão do Mercado de Valores Mobiliários) registrar a oferta feita pela empresa para adquirir a Cimpor pelo valor já anteriormente divulgado de € 5,75 por ação – fazendo com que a transação seja avaliada em um montante total de € 3,86 bilhões. Havia temores no mercado de que a siderúrgica brasileira fosse elevar sua oferta de compra.

Também se destacaram entre as maiores variações positivas as ações da Sabesp e BM&F Bovespa, que liderou os ganhos do índice após vir de oito sessões consecutivas de queda.

No noticiário corporativo, os resultados do Bradesco chamam atenção: o banco somou um lucro líquido de R$ 8,012 bilhões em 2009, 5,1% maior que o contabilizado em 2008. Os papéis do banco avançaram no pregão.

Na ponta vendedora, os papéis de MRV, B2W e Souza Cruz encerraram em baixa. A PDG Realty, que está em processo de oferta secundária de ações, também registrou perdas na sessão.

A Fitch Ratings, agência de classificação de risco, afirmou que as notas da Vale não serão impactadas pelo anúncio de compra de 100% da Bunge Participações e Investimentos e de 43% da Fertilizantes Fosfatados. As ações ordinárias da mineradora recuaram, enquanto as PNB fecharam em alta.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1Links
 BVMF3 BMFBovespa ON12,60+3,28+2,86115,71M 
 ITUB4 Itau Unibanco PN36,89+2,99-4,18207,33M 
 CSNA3 Sid Nacional ON54,29+2,86-3,05108,74M 
 TNLP4 Telemar PN34,21+2,73-7,7945,52M 
 VIVO4 Vivo Part PN54,30+2,69+0,1557,05M 

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1Links
 CRUZ3 Souza Cruz ON60,02-3,81+3,9115,12M 
 PDGR3 PDG Realty ON14,60-3,63-15,8540,61M 
 CESP6 Cesp PNB22,70-3,40-5,5321,82M 
 MRVE3 MRV ON11,99-3,38-14,9640,80M 
 RSID3 Rossi Resid ON13,05-3,33-14,7138,02M 

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o Índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1Vol 30d1Neg 
 VALE5 Vale PNA42,15+0,21708,11M679,54M15.482 
 PETR4 Petrobras PN34,61+1,47474,58M619,65M12.952 
 ITUB4 Itau Unibanco PN36,89+2,99207,33M186,08M6.864 
 GGBR4 Gerdau PN25,60+0,27195,71M127,69M9.446 
 USIM5 Usiminas PNA48,65+2,42162,97M104,71M6.010 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Agenda
Nos EUA, o Durable Good Orders, excluindo o setor automobilístico, mostrou avanço de 0,9% em dezembro passado, superando projeções do mercado, ao passo que o número de pedidos de auxílio-desemprego marcou queda na passagem semanal, apesar de ter vindo levemente abaixo do esperado.

Por aqui, destaque para o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), que apontou inflação de 0,63% em janeiro, após variação negativa de 0,26% no mês anterior. A taxa veio acima do esperado.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou a taxa de desemprego das seis principais regiões metropolitanas do País em 2009, que ficou em 8,1% em média. O índice é 0,2 ponto percentual maior que a taxa de 2008, quando registrou 7,9%. Para o mês de dezembro, a taxa ficou em 6,8%.

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Já a Sondagem Industrial divulgada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) mostrou que a indústria brasileira segue em trajetória de recuperação frente à crise, tendo registrado aumentos na produção e na geração de empregos no quarto trimestre do ano passado.

Dólar
Após operar no campo negativo durante a manhã, o dólar comercial foi ganhando forças à medida que os mercados começaram a emitir sinais de maior aversão ao risco. Com a nova intervenção do Banco Central no câmbio, a trajetória ascendente se consolidou e a moeda fechou em alta pela oitava sessão consecutiva.

Com valorização de 0,27%, a divisa norte-americana fechou o dia valendo R$ 1,869 na venda, atingindo o maior patamar desde o dia 2 de setembro de 2009, quando terminou o dia negociada a R$ 1,884.

No front doméstico, o Banco Central ajudou na trajetória positiva da moeda norte-americana ao realizar um novo leilão de compra de dólares no mercado à vista. A captação ocorreu entre 15h36 e 15h46 (horário de Brasília), com uma taxa de corte aceita em R$ 1,875.

Renda Fixa
No mercado de renda fixa, os juros futuros encerraram em queda na BM&F Bovespa nesta quinta-feira. O contrato com vencimento em janeiro de 2011, que apresenta maior liquidez, encerrou apontando taxa de 10,34%, queda de 0,07 ponto percentual em relação ao fechamento anterior.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 133,30% de seu valor de face, recuo de 0,52% frente ao fechamento anterior.

O risco-país, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, fechou cotado a 226 pontos-base, alta de 3 pontos em relação ao fechamento anterior.

Bolsas Internacionais
O índice Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia norte-americanas, fechou  em baixa de 1,91% e atingiu 2.179 pontos. Seguindo esta tendência, o índice S&P 500 desvalorizou-se 1,18% a 1.085 pontos, da mesma forma, o índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, caiu 1,13% a 10.120 pontos.

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Na Europa, o índice CAC 40  da bolsa de Paris  registrou baixa de 1,89% e atingiu 3.689 pontos; no mesmo sentido, o índice DAX 30  da bolsa de Frankfurt desvalorizou-se 1,82% chegando a 5.540 pontos e o FTSE 100, da bolsa de Londres, caiu 1,37% a 5.146 pontos.

Veja os indicadores previstos para a próxima sexta-feira
A FGV (Fundação Getulio Vargas) divulga a Sondagem Industrial referente ao mês de janeiro, que reúne informações sobre a evolução da atividade da indústria nacional.

Nos EUA, o Departamento de Comércio revela a prévia do PIB e de seu deflator, todos baseados no quarto trimestre.

O Departamento de Trabalho norte-americano revela o Employment Cost Index referente ao quarto trimestre. Ele mede o custo da mão-de-obra, sendo muito utilizado pelo mercado como um indicador de inflação.

Será apresentado o Chicago PMI referente ao mês de janeiro, que mede o nível de atividade industrial na região.

A Universidade de Michigan publica a revisão do Michigan Sentiment de janeiro, que mede a confiança dos consumidores na economia norte-americana.