Crise política

Em meio a protestos, Hong Kong prevê primeiro recuo em seu PIB anual desde 2009

Administração revisou previsão de alta do PIB de 1,0%, em agosto, para uma contração de 1,3% agora.

SÃO PAULO – O governo de Hong Kong prevê contração econômica neste ano pela primeira vez desde 2019, em meio a protestos em andamento que prejudicam os negócios. A administração revisou sua previsão de alta do Produto Interno Bruto (PIB) este ano de 1,0% ante o ano anterior, traçada em agosto, para uma contração de 1,3% agora.

O PIB do terceiro trimestre recuou 2,9%, na comparação com igual período do ano passado. A economia já estava desde o terceiro trimestre em recessão técnica, definida por dois trimestres seguidos de queda na atividade.

O governo diz que incidentes sociais com maior violência nos últimos meses afastaram turistas e prejudicaram bastante a demanda local e o sentimento econômico.

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Ataques

A polícia de Hong Kong ameaçou neste domingo usar “munições reais” se continuar a enfrentar manifestantes que usem “armas letais”. É o primeiro alerta desse tipo desde o início dos confrontos, há quase seis meses.

“Se eles [os manifestantes] continuarem com ações tão perigosas, não teremos outra escolha senão usar a força de forma mínima, incluindo o uso de munições reais”, disse o porta-voz da polícia, Louis Lau, numa transmissão em vídeo ao vivo na rede social Facebook.

Em meio às manifestações, a polícia disparou gás lacrimogêneo contra manifestantes na Universidade Politécnica de Hong Kong, no momento em que a oposição parlamentar critica as Forças Armadas chinesas que, no sábado, retiraram escombros das ruas.

Hoje, um grande grupo de pessoas voltou a tentar limpar uma estrada cheia de escombros perto do campus da instituição, mas foi advertido pelos manifestantes de que devia se afastar.

O incidente ocorreu horas depois de intensos confrontos durante a noite desse sábado, em que os dois lados trocaram bombas incendiárias, deixando focos de incêndio na rua.

Muitos manifestantes entraram para o interior do campus, onde montaram pontos de controle de acesso.

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Os manifestantes, que ocuparam vários campus importantes durante a semana passada, recuaram quase por completo, à exceção de um contingente que permanece na Universidade Politécnica.

Líderes da oposição divulgaram declaração, na qual criticam os militares chineses por se juntarem às operações de limpeza. Os militares têm permissão para ajudar a manter a ordem pública, mas apenas a pedido do governo de Hong Kong.

O governo disse que não havia solicitado a assistência dos militares, descrevendo-a como uma atividade voluntária da comunidade.

(Com Agência Estado e Agência Brasil)