Em meio a incômodo e disputa por 2026, Tarcísio vai a Bolsonaro na prisão

Visita autorizada por Moraes ocorre após apoio formal a Flávio Bolsonaro e em meio a sinais ambíguos do governador paulista sobre 2026

Marina Verenicz

Ex-presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas - Foto: Alan Santos/PR
Ex-presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas - Foto: Alan Santos/PR

Publicidade

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Jair Bolsonaro devem se encontrar nesta semana em um momento de tensão dentro do campo bolsonarista, após gestos recentes do governador paulista terem gerado incômodo entre aliados do ex-presidente.

O encontro foi autorizado nesta terça-feira (20) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e está marcado para quinta-feira (22), entre 8h e 10h, na unidade prisional conhecida como Papudinha, em Brasília.

Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão em regime fechado, após condenação por liderar a tentativa de golpe de Estado. Ele foi transferido na última semana da Superintendência da Polícia Federal para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, dentro do Complexo da Papuda, por decisão do próprio Moraes, que avaliou pedidos da defesa relacionados às condições de custódia.

A visita ganha peso político por ser a primeira de Tarcísio desde que Bolsonaro formalizou, em carta, o apoio à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.

Antes dessa definição, o nome do governador paulista era tratado, nos bastidores, como uma alternativa competitiva da direita para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026.

O desconforto no bolsonarismo se intensificou nos últimos dias após Tarcísio curtir, nas redes sociais, um vídeo publicado pela primeira-dama de São Paulo, Cristiane Freitas, em que ela afirma que “o Brasil precisa de um novo CEO”.

Continua depois da publicidade

O gesto foi interpretado por aliados do ex-presidente como um aceno calculado a setores que ainda defendem a candidatura do governador ao Planalto, mesmo após a escolha de Flávio como herdeiro político.

Esses sinais passaram a ser lidos como ambíguos em um momento em que parte do entorno de Bolsonaro cobra uma postura mais clara de Tarcísio em apoio ao senador. Apesar das pressões, o governador segue aparecendo como um nome viável eleitoralmente.

Na semana passada, ainda, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou um vídeo em que Tarcísio faz críticas à política econômica do governo Lula, reforçando sua presença no debate nacional.